Título: Severino se defenderá no cargo, diz advogado
Autor: Kelly Oliveira
Fonte: Jornal do Brasil, 11/09/2005, País, p. A7
O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), não deve pedir afastamento do cargo para se defender das acusações de recebimento de propina em troca da prorrogação de contrato de exploração de um restaurante da Casa, segundo informou ontem seu advogado José Eduardo Alckimin. - A intenção é manter-se no cargo e se defender - disse o advogado, depois de uma reunião com o deputado, que chegou ontem a Brasília depois de viagem oficial aos Estados Unidos.
Para Alckimin, o presidente da Câmara tem condições políticas de continuar na função mesmo com a movimentação de parlamentares que querem a sua renúncia ou sua cassação. A linha de defesa está já definida. Afirma que o documento apresentado pelo empresário Sebastião Augusto Buani como uma das provas do pagamento da propina de R 110 mil é falso e que não existe o tal cheque que Buani teria emitido em favor de Severino Cavalcanti.
Outra alegação é que o presidente da Câmara não poderia ter assinado o documento na mesma data em que Buani pediu revisão da decisão de não prorrogar o contrato de prestação de serviços.
Depois de reunião com Severino na residência oficial do presidente da Câmara, o assessor jurídico da Câmara Marcos César Vasconcelos foi ainda mais incisivo do que o advogado. Declarou que teve acesso ao documento apresentado por Buani à Polícia Federal e que está convicto de que ele é forjado. Para o assessor jurídico, há uma conspiração contra Severino Cavalcanti, que terá a oportunidade de se defender das denúncias em entrevista coletiva marcada para o meio-dia de hoje.
- Começaram uma conspiração sórdida, imensa, contra Severino. Esse empresário, por ser desonesto, pode estar sendo usado por outras forças - disse Vasconcelos.
O advogado José Eduardo Alckimin já defendeu vários políticos. Entre eles o deputado e ex-presidente do Senado Jader Barbalho (PMDB-PA), acusado de corrupção envolvendo recursos públicos.
A revista Istoé desta semana traz informações sobre a tentativa de suborno por parte de aliados do presidente da Câmara teriam feito a Buani. O deputado federal José Janene (PP-PR) é citado na reportagem como o responsável pelo envio de um emissário ao empresário com a oferta de uma propina de R$ 1 milhão - recusada por Bauni, segundo a matéria publicada no semanário.
Janene afirmou que vai entrar com um processo na Procuradoria da República para pedir a abertura de um inquérito com base no teor da reportagem.
- Na segunda-feira, eu vou à Procuradoria da República pedir uma investigação, porque esse tipo de acusação tem que ser investigada'', disse o deputado.