Título: Crise na Câmara retardará processos de cassação
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 12/09/2005, País, p. A4

Após a entrevista coletiva do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, o líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA) disse que a oposição vai trabalhar nesta semana para ''colocar todos os obstáculos a fim de que ele não presida as sessões da Câmara dos Deputados''. Com isso, a resistência de Severino em se afastar da Presidência da Câmara pode retardar as cassações dos mandatos de deputados acusados de envolvimento no escândalo do mensalão e deve transformar esta semana em uma das mais conturbadas desde o início da crise política.

A oposição promete derrubar a principal sessão agendada, na quarta-feira, destinada a votar o parecer pela cassação do mandato de Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das denúncias do mensalão. Alguns parlamentares apostam que haverá tumulto e agressões verbais no plenário, se Severino mantiver a disposição de presidir a sessão de Jefferson.

- Estamos em compasso de espera, aguardando para ver o que o Severino vai fazer. Ele não tem mais autoridade moral para usar a cadeira de presidente - disse Alberto Goldman (SP), líder do PSDB na Câmara.

- O deputado que tiver auto-estima deve sair do plenário assim que o Severino sentar na cadeira - reforçou Raul Jungmann (PPS-PE).

Severino, por sua vez, disse ontem durante a entrevista:

- Irei presidir qualquer sessão de votação da Câmara. Se os líderes não cumprirem com seus deveres, problema deles. Deputado foi eleito para votar, não para obstruir - rechaçou.

Além da cassação de Roberto Jefferson, a reunião de amanhã da Mesa da Câmara, em que se discutiriam os nomes de deputados contra os quais serão abertos processos de perda de mandato, pode ser também redirecionada para a polêmica envolvendo Severino. O corregedor-geral da Câmara, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), afilhado político de Severino, já informou que até amanhã as representações feitas contra 18 deputados indicados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão deverão ser encaminhadas ao Conselho de Ética da Casa.

Nogueira disse que já conversou com todos os membros da Mesa e há unanimidade em apoio à proposta de que se dê continuidade aos processos.

Atualmente, o Conselho já tem três processos por quebra de decoro parlamentar em andamento: Sandro Mabel (PL-GO), José Dirceu (PT-SP) e Romeu Queiroz (PTB-MG). Os indicados pelas CPIs são: Carlos Rodrigues (PL-RJ), que deve apresentar sua renúncia hoje, José Borba (PMDB-PR), José Mentor (PT-SP), Pedro Corrêa (PP-PE), Roberto Brant (PFL-MG), Sandro Mabel, João Magno (PT-MG), José Dirceu, Josias Gomes (PT-BA), Pedro Henry (PP-MT), Roberto Jefferson (PTB-RJ), Vadão Gomes (PP-SP), João Paulo Cunha (PT-SP), José Janene (PP-PR), Paulo Rocha (PT-PA), Professor Luizinho (PT-SP), Romeu Queiroz e Wanderval Santos (PL-SP).