Título: Vitória renova força de Koizumi
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Fonte: Jornal do Brasil, 12/09/2005, Internaciional, p. A9
O Partido Liberal Democrata (PLD) do primeiro-ministro Junichiro Koizumi venceu de forma esmagadora as eleições legislativas de ontem no Japão. O PLD conquistou 296 das 480 vagas na Câmara de Representantes, uma vitória histórica que assegurou sua maioria absoluta na Câmara pela primeira vez desde 1990.
- Quero agradecer à população. Em vista dos resultados, penso que o povo emitiu um voto favorável à reforma do Correio - declarou Koizumi. Vestindo roupa informal, o premier marcava em um painel as circunscrições ganhas pelo PLD.
- A princípio pensava que o PLD poderia, no melhor dos casos, ganhar uma maioria simples, mas parece que fomos além - disse Koizumi.
O primeiro-ministro confirmou que deixará o poder em setembro de 2006 ao finalizar seu mandato na presidência do partido.
- Até esta data farei o melhor que puder. Depois, não será mais possível - sustentou.
Se os resultados oficiais finais - previstos para hoje - se confirmarem, será a primeira vez em 15 anos que um partido terá condições de governar sem a necessidade de alianças com outras formações do Parlamento no Japão.
Mesmo sem a confirmação oficial, o líder do principal partido de oposição no Japão, Katsuya Okada (Partido Democrata Japonês, PJD), reconheceu a derrota.
- Saio da chefia do partido - declarou Katsuya Okada em entrevista coletiva. O líder já havia anunciado anteriormente que ''se não ganhasse as eleições se demitiria da chefia do Partido Democrata''.
O PLD, um poderoso partido conservador, governa o Japão, praticamente sem interrupção, há 50 anos.
Koizumi, um liberal conservador de 63 anos que está no poder desde 2001, transformou as eleições antecipadas em um referendo sobre sua política de reformas, em particular a privatização dos Correios. Koizumi sustenta que desmantelar o Correio japonês, que na realidade é a maior instituição financeira do mundo, estimulará o setor privado, mudará a cultura política do país e inclusive dará impulso à diplomacia local.
A privatização é o pilar central do programa de reformas estruturais, que foi rejeitada no dia 8 de agosto pelo Senado. Com esta vitória, Koizumi também supera a crise política provocada por ele mesmo.
As eleições antecipadas foram consideradas as mais importantes no Japão em 10 anos. O interesse da população foi confirmado nas urnas. A taxa de participação nacional no encerramento dos locais de votação era de 67,5%, quase oito pontos superior ao nível das legislativas de 2003.
Com fama de excêntrico pela figura pouco convencional, Koizumi é o único primeiro-ministro japonês cuja popularidade ofuscou a de seu poderoso partido. Sua sinceridade capturou uma popularidade habitualmente restrita às estrelas da mídia.
Os japoneses o chamam de ''henjin'' (cara estranho) e também de ''lobo solitário'' ou ''sniper'' (franco-atirador). Admirador de Churchill, o premier não esconde o gosto por bares noturnos, pelo ''heavy metal'' japonês e sobretudo e pelas óperas de Wagner. Em várias ocasiões desafiou a hierarquia do partido e, em abril de 2001, chegou ao poder, prometendo ''pulverizar o PLD''. Hábil estrategista, é pró-americano e apóia sem subterfúgios a ação dos Estados Unidos no Iraque, o que não o impede de revelar suas simpatias nacionalistas.