Título: Crescimento desequilibra balança
Autor: Luciana Otoni
Fonte: Jornal do Brasil, 04/11/2004, Economia & Mercados, p. A-17

Reaquecimento da economia eleva importações, que atingem US$ 5,8 bilhões em outubro, maior alta desde julho de 1997 A recuperação da economia brasileira deixou sua marca, pela primeira vez, na balança comercial de outubro. As importações atingiram, no mês passado, seu recorde histórico (US$ 5,836 bilhões). O resultado mensal é o maior desde julho de 1997, quando ainda existia a paridade cambial. O resultado baixou o saldo comercial para US$ 3,007 bilhões, alta de 18,6% em relação a outubro do ano passado, mas inferior ao resultado de setembro (US$ 3,17 bilhões). As exportações, por sua vez, mantiveram fôlego e atingiram US$ 8,843 bilhões no mês passado, 16,9% maior que o apurado em igual período do ano anterior, mas 0,9% inferior ao resultado de setembro. A performance do último mês elevou para US$ 28,121 bilhões o superávit acumulado nos primeiros dez meses do ano.

Embora próximo à meta acertada para este ano - saldo comercial de US$ 32 bilhões -, o governo não pretende alterar o objetivo. Segundo projeções oficiais, as exportações baterão US$ 94 bilhões em 2004. No ano, já somam US$ 79,121 bilhões.

- As duas metas serão atingidas com certa facilidade - assegurou o secretário-adjunto da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Meziat.

A característica dos bens importados reforça a tendência de reaquecimento interno. O item matérias-primas e bens intermediários registrou alta de 37% em outubro frente a igual mês de 2003. As importações de bens de consumo e de bens de capital cresceram 19,7% e 3,5%, respectivamente.

- A demanda interna está compatível com essa demanda por importação - avaliou Meziat.

De janeiro a outubro, as importações atingiram a cifra de US$ 51 bilhões, no qual destacam-se as aquisições de bens de capital (+15,4%), matérias-primas e intermediários (+29,9%), bens de consumo (+21,8%), combustíveis e lubrificantes (+49,3%). Segundo Meziat, no Brasil, 90% das importações estão associadas à atividade produtiva.

Segundo Meziat, as vendas para o exterior deverão apresentar recuo nos próximos meses, efeito sazonal sobre a balança comercial no fim do ano.

Nos últimos 12 meses terminados em outubro, a corrente de comércio alcançou US$ 151,109 bilhões, superando pela primeira vez a barreira dos US 150 bilhões. As exportações somaram US$ 91,849 bilhões, as importações, US$ 59,260 bilhões, e o saldo acumulou divisas no valor de US$ 32,589 bilhões.

No último mês, as vendas de produtos manufaturados foram infladas e chegaram a US$ 5,284 bilhões, devido à exportação de um navio-plataforma no valor de US$ 655 milhões.

Os maiores percentuais de expansão das exportações em outubro foram registrados para países da América Latina (+57,8%), Mercosul (+47,5%, sendo 51,1% para a Argentina), Estados Unidos (+46,6%), Europa Oriental (+43,6%), África (+39,8%), União Européia (+34,1%) e Ásia (+15,7%).

A nota técnica de comércio exterior da Secex informou que o incremento das vendas para os Estados Unidos deve-se à ampliação das exportações de aeronaves, ferro fundido, máquinas, petróleo em bruto, madeiras, calçados, móveis e suco de laranja. Para a Argentina, o crescimento tem se dado através dos maiores embarques de automóveis, auto-peças, equipamentos, eletroeletrônicos, plásticos, ferro fundido, papel e celulose.