Título: Petistas criticam política econômica
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Fonte: Jornal do Brasil, 17/09/2005, País, p. A7
O último debate entre os candidatos à presidência do PT, realizado ontem em São Paulo, foi monopolizado por críticas à política econômica do governo federal. Até mesmo o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), concorrente pelo Campo Majoritário, grupo que controla a legenda, defendeu mudanças pontuais na economia. A eleição interna petista acontece amanhã. O debate foi realizado pela rádio CBN.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, não foi atacado diretamente pelos colegas de partido. Três dos seis candidatos que participaram do debate fizeram questão de defender a reeleição de Lula, mas ressaltaram que o PT precisa aumentar autonomia para superar a crise.
Berzoini iniciou o debate defendendo abertamente a política econômica. Mas destacou que vai tentar convencer Lula a adequar as metas de inflação e acelerar a execução do Orçamento.
- Há pessoas que acreditam que política econômica se faz com voluntarismo - disse ele, numa crítica aos colegas que pedem mudanças radicais. Para Berzoini, o PT precisa ser ao mesmo tempo ''independente'' e ''leal'' ao governo.
O candidato Plínio de Arruda Sampaio, apoiado pela corrente Ação Popular Socialista, foi um dos mais duros com o governo. Pediu a saída do ministro da Fazenda Antonio Palocci e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ''responsáveis pela tucanagem no governo.''
O deputado estadual Raul Pont (RS), candidato da Democracia Socialista, disse que técnicos do BC ''se comportam como lobistas do setor financeiro'' e que Meirelles tem ''reputação duvidosa''. Markus Sokol, da corrente ultra-radical O Trabalho, disse que existe no país a ''ditadura do superávit''.
Moderada, a deputada Maria do Rosário (PT-RS), do Movimento PT, alegou não haver contradição em pedir mudanças na economia e defender a reeleição do presidente, o que provocou discussões com Plínio Sampaio.
Valter Pomar, candidato da Articulação de Esquerda, discordou dos adversários. Ele afirmou que o governo Lula é superior ao de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, em diversos pontos, mas bateu forte na ''continuidade'' na economia. Defendendo a reeleição de Lula, Pomar disse que o PT precisa ajudar o governo a retomar sua força política.
- Se fôssemos duros com o PSDB e o PFL, fazendo uma auditoria nas o privatizações, metade desses grupos hoje estaria na cadeia - observou.
O advogado do candidato Gegê, que não participou do debate, entrou com um pedido de habeas-corpus no Supremo Tribunal de Justiça. Gegê teve pedido de prisão decretado, suspeito de ser mentor de um assassinato em 2002.