Título: Lula: 'Mentiras vão aparecer'
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Fonte: Jornal do Brasil, 17/09/2005, País, p. A7
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou a crise como ''parte da lógica natural da política'' e disse que isso ''não deve traumatizar o país''. O pronunciamento foi feito ontem, durante seu discurso na inauguração do Aeroporto internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió. Lula defendeu também a política econômica de seu governo, especialmente da austeridade fiscal na relação com os estados. O presidente disse ainda que ''o país tem seus percalços políticos'' e acrescentou que'' não é a primeira vez que isso acontece nem será a última.''
- As mentiras que foram contadas vão aparecer, as verdades que foram omitidas vão sendo apuradas e as pessoas que tiverem culpa pagarão pelos erros que cometeram - afirmou o presidente, que disse ainda:
- Quem mentiu vai aparecer, quem fez alguma coisa que seja verdadeira vai aparecer e a democracia vai permanecer em seu leito natural para fortalecer este país.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que estava na cerimônia, disse que o Congresso e o executivo têm de apresentar respostas às denúncias ''na rapidez que a sociedade exige''.
- As respostas têm que ser dadas com rapidez porque a sociedade não aguenta mais esperar para que este país volte à normalidade e, sem macular o estado de direito, punir alguns que precisam ser exemplarmente punidos - disse Renan.
Durante seu discurso, Lula analisou os resultados da política econômica.
- O que está caindo é a inflação, o que está caindo são os preços. Apesar da crise que se fala, não há momento na história do país com um conjunto de fatores positivos na economia como estamos vivendo. O presidente acrescentou que houve crescimento das exportações, dos investimentos, do crédito, do nível de emprego e da massa salarial.
O presidente aproveitou o discurso também para responder ao governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB). Lessa, que fez um pronunciamento antes do presidente, havia chamado a equipe econômica de insensível e se queixado do comprometimento dos estados, principalmente os mais pobres, com o pagamento da dívida com a União. Lula reagiu:
- Apesar de todas as dificuldades, nunca se transferiu tanto da União para os estados e os municípios como em meu governo, e os prefeitos sabem disso - disse Lula, que acrescentou:
- Se a dívida dos estados é injusta ou não, em algum momento os 27 governadores se sentaram com o governo passado e fizeram um acordo.
Em seguida, o presidente disse que seu governo superou ''uma dicotomia muito séria.'' Segundo Lula, no passado recente o país teve de escolher entre exportar ou fortalecer o mercado interno, entre crescer ou combater a inflação.
Cerca de duas mil pessoas estiveram na inauguração do aeroporto. Antes de permitir a entrada de populares no saguão, seguranças examinaram faixas e cartazes. Do lado de fora, uma centena de manifestantes do PSTU, da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) e estudantes gritavam palavras de ordem como ''Fora Lula''. Trabalhadores rurais que pediam perdão de dívidas também ficaram de fora.
Entre as autoridades presentes estavam a secretária de turismo do estado, Thereza Collor, viúva de Pedro Collor.
- O presidente Lula não está envolvido diretamente nas denúncias, mas indiretamente. É muito triste ver a história se repetindo em tão pouco tempo. Collor tem dois Ls no nome e Lula também, mas não vou julgar, não sou congressista para fazer isso - disse Thereza.
O ex-presidente José Sarney (PMDB/AP), que estava em Maceió, voltou para Brasília no avião com Lula. Uma pesquisa divulgada na última terça-feira pelo Instituto Sensus mostrou que a avaliação pessoal do presidente caiu a seu mais baixo nível desde a posse: 50% de aprovação. O Instituto relaciona este resultado ao comportamento do presidente frente as denúncias de corrupção.