Título: Freio no emprego industrial
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 17/09/2005, Economia & Negócios, p. A19
A desaceleração na indústria já chegou ao mercado de trabalho. Em julho, quando a produção despencou 2,5% em relação a junho, o nível de emprego do setor se manteve estável. No mês anterior, a queda foi de 0,6%. A renda do trabalhador na indústria também não teve fôlego para se recuperar e registrou queda de 0,1% na comparação com junho. O recuo foi menor do que no mês anterior, quando a renda caiu 2,4% na comparação com maio. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado confirma uma redução do patamar de expansão do mercado de trabalho no setor.
A análise do mercado de trabalho na indústria no longo prazo, porém, ainda mostra sinais positivos. O desempenho de julho é 1,1% superior ao de igual mês do ano passado e no acumulado do ano o nível de emprego cresce 2,15%.
Em relação a julho de 2004, nove das 14 áreas analisadas tiveram criação de vagas. Os destaques foram São Paulo (3,2%) e Minas Gerais (3,6%), impulsionados pelos setores de alimentos e bebidas e produtos de metal.
As áreas que mais reduziram o emprego foram Rio Grande do Sul (-7,0%) e Santa Catarina (-0,8%), afetados pelo desempenho das indústrias de calçados, artigos de couro e madeira.
No ano, as indústrias que tiveram maior impacto positivo no mercado de trabalho foram alimentos e bebidas (7,3%), meios de transporte (11,5%) e Minas Gerais (4,4%).
O número de horas pagas ao trabalhador da indústria recuou 1,2% em relação a junho. Em relação a julho de 2004, houve crescimento de 0,9%.
O valor da folha de pagamento caiu 0,1% em julho na comparação com junho. Em relação a julho de 2004, o crescimento foi de 3,1% e, no acumulado do ano, de 3,9%.
Na comparação com julho de 2004, o valor real da folha de pagamento cresceu em 11 dos 14 locais pesquisados. A maior influência positiva ocorreu em São Paulo (4,6%), devido ao aumento das atividades de meios de transporte (8,7%) e alimentos e bebidas (14,8%).
As pressões negativas vieram principalmente do Rio de Janeiro (-10,0%), em razão da queda de 57,7% na indústria extrativa, que foi motivada pelo fato de, em 2004, a base de comparação ter sido inflada pela distribuição de participação nos lucros aos funcionários.