O Estado de S. Paulo, n. 46734, 30/09/2021. Economia & Negócios, p. B3

Petrobras libera R$ 300 mi para ‘vale-gás’

Luísa Laval



Na mesma semana em que foi alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro e do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), por causa do preço dos combustíveis, a Petrobras aprovou ontem a criação de um programa social no valor de R$ 300 milhões para subsidiar a compra de gás de cozinha por famílias de baixa renda.

A empresa informou que o programa foi aprovado por seu conselho de administração e terá uma duração de 15 meses – o prazo coincide com o período eleitoral, quando Bolsonaro tentará a reeleição. Segundo a Petrobras, o projeto apoiará famílias em situação de vulnerabilidade social “para contribuir com o acesso a insumos essenciais, com foco no gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido popularmente como gás de cozinha”.

Em 12 meses até agosto, o preço do botijão de gás subiu 31,7%, o triplo da inflação acumulada no período (9,7%), segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – que é o indicador oficial de inflação do País. Em alguns Estados, o preço já passa de R$ 100.

O valor do gás de cozinha segue a variação dos preços internacionais e, por isso, também sofre a influência do câmbio, assim como ocorre com os combustíveis. A desvalorização do real frente ao dólar contribui para elevar os preços, que já estão em um nível alto por causa da alta demanda internacional e de problemas logísticos que encareceram o custo do transporte no mundo. Ontem, o dólar encerrou o dia valendo R$ 5,43.

Bolsonaro tem feito ataques à política de preços da Petrobras. Na segunda-feira, ele disse ter conversado com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, sobre como “melhorar ou diminuir” o preço aos consumidores.

Segundo a Petrobras, o programa social se justifica por causa dos efeitos da situação excepcional e de emergência decorrentes da pandemia da covid-19 e busca alinhar a atuação social da empresa às práticas no mercado. “Somos uma empresa socialmente responsável e comprometida com a melhoria das condições de vida das famílias, particularmente das mais vulneráveis”, afirmou o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, em comunicado ao mercado.

No comunicado, Petrobras não detalhou como será feita a distribuição dos recursos do programa, nem como as famílias serão escolhidas. Segundo a empresa, o modelo está em fase final de estudos, incluindo a busca por parceiros. A empresa diz ainda que há a possibilidade de criação de um fundo que permita que outras empresas venham a aderir ao projeto.