Título: Câmara constrangida
Autor: Sérgio Pardellas e Karla Correia
Fonte: Jornal do Brasil, 20/09/2005, País, p. A2

As próximas 24 horas serão de expectativa na Câmara. Diante da certeza da renúncia de Severino Cavalcanti (PP-PE) à presidência da Casa, em discurso previsto para amanhã no plenário, os parlamentares não escondem o constrangimento. Aliados e adversários torcem para que a neblina se dissipe de uma vez. - Severino tinha que sair logo, precisamos pensar no futuro da Casa - defendeu o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ).

O líder da minoria, José Carlos Aleluia (PFL-BA), um dos maiores defensores da renúncia ou da cassação de Severino, decidiu ontem adotar um discurso cauteloso, depois de posar para os fotógrafos durante o protocolo do pedido de cassação do presidente da Câmara, no Conselho de Ética da Casa.

- Estamos diante de uma decisão pessoal, não há razões para ficarmos atacando o Severino - justificou Aleluia.

Amigo pessoal de Severino, o deputado Benedito Dias (PP-AP) visitou ontem o presidente da Câmara e adiantou que o comandante da Casa confia na avaliação dos seus eleitores de Pernambuco.

- O caso dele não foi tão grave. A pessoa que o envolveu no escândalo (o dono do Restaurante Fiorella, Sebastião Augusto Buani) agiu de forma maliciosa - acusou ele, que afirma que Severino acredita ser possível evitar a condenação judicial.

A deputada Denise Frossard (PPS-RJ) ressalta que a Câmara precisará de maturidade na disputa pela presidência.

- Tem que surgir um nome que unifique. A Casa está muito ferida - disse.

De acordo com o advogado de Severino, José Eduardo Alckmin, não existe a possibilidade de ele apenas pedir licença da Presidência.

- Só o fato de estar sob o foco da imprensa como suspeito de ter feito uma coisa errada já pode afetar o bom funcionamento da Câmara, e isso vai pesar na decisão - ponderou o advogado, que considera as provas contra seu cliente ''muito tênues'', já que Buani teria entrado em contradição com freqüência.