Título: Procurador diz ter prova
Autor: Sérgio Pardellas e Karla Correia
Fonte: Jornal do Brasil, 20/09/2005, País, p. A2
O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, afirmou ontem ter em suas mãos documentos que confirmam o recebimento, pelo presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), de propina para prorrogar a concessão dada ao empresário Sebastião Buani, dono de um dos restaurantes da Casa, quando ocupava o cargo de 1º secretário da Mesa. - Recebi documentos, com dados mais concretos que confirmam o envolvimento do deputado. Tenho hoje mais informações do que a Polícia Federal sobre o inquérito, e talvez não seja nem necessário o pedido de quebra de sigilos - disse o chefe do Ministério Público.
O procurador-geral da República não quis entrar em detalhes, nem esclarecer se pode oferecer denúncia contra Severino no Supremo Tribunal Federal (STF), antes mesmo de encerradas as investigações na Polícia Federal (PF).
Na sexta-feira, a PF solicitou ao STF a abertura de inquérito para apurar as denúncias de que o presidente da Câmara teria recebido dinheiro do concessionário do restaurante Fiorella e sugeriu a quebra dos sigilos bancário e fiscal, tanto do deputado, como de Sebastião Buani.
A petição foi distribuída para o ministro Gilmar Mendes que, ainda ontem, pediu informações ao procurador da República, a fim de decidir - na qualidade de relator - sobre a abertura do inquérito.
O chefe do MP admitiu que o processo do ''mensalinho'' será bem mais rápido e menos complexo do que o do ''mensalão''.
Perguntado ontem à noite se a documentação tratava-se de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), do Ministério da Fazenda, o procurador não confirmou nem desmentiu a informação. A versão que circulava entre os investigadores do mensalinho é que as informações teriam o Coaf como origem.