Título: Severino Cavalcanti diz a Lula que vai renunciar
Autor: Sérgio Pardellas e Karla Correia
Fonte: Jornal do Brasil, 20/09/2005, País, p. A2

Em encontro que durou cerca de uma hora no início da noite de ontem no Planalto, o presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o seu futuro político. Embora a assessoria de Severino tenha afirmado que o presidente da Câmara não anunciou nenhuma decisão, como uma possível renúncia ao mandato, um auxiliar de Lula disse que o encontro teve ''tom de despedida''. Antes da reunião, Severino já havia ratificado a interlocutores sua intenção de renunciar na próxima quarta-feira para evitar a cassação do mandato, e que transmitiria sua vontade ao presidente Lula. De acordo com a versão oficial, o presidente da Câmara teria dado apenas opções sobre o seu destino político. Ao que Lula teria dito que caberia apenas a ele definir o melhor caminho a seguir.

Segundo pessoas que conversaram com Severino antes da audiência no Planalto, o presidente da Câmara também pediria a Lula a manutenção dos cargos que o PP, seu partido, detém no governo sobretudo os vinculados ao Ministério das Cidades e ao Ministério da Agricultura, onde está lotado seu filho José Maurício. À tarde, por intermédio do líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia, o Planalto sinalizou positivamente a reivindicação de Severino.

O encontro que reuniu além dos presidentes do Executivo e Legislativo, o ministro da Coordenação Política, Jaques Wagner, foi intermediado pelo presidente da Infraero, Carlos Wilson (PT-PE). Começou às 18h45 se encerrando por volta das 20h. Severino entrou e saiu pela garagem.

Pela manhã, antes mesmo da audiência com Lula, a sucessão de Severino Cavalcanti já havia sido discutida durante reunião da Coordenação Política do governo. De acordo com um dos participantes do encontro, o presidente Lula afirmou que o sucessor do atual presidente da Câmara deveria ser um ''candidato de perfil institucional'', não comprometido nem com governo nem oposição.

O temor do governo é de que o processo de escolha do substituto de Severino não descambe para mais uma contenda política entre governo e oposição, atrapalhando as votações de projetos importantes na Casa.

Entre os nomes comentados durante a reunião para comandar a Câmara, segundo ministros do núcleo político do governo, estão os dos deputados Sigmaringa Seixas (DF), Paulo Delgado (MG), Arlindo Chinaglia (SP), José Eduardo Cardozo (SP), todos do PT, Aldo Rebelo, do PCdoB, e Michel Temer, do PMDB.

Na avaliação de integrantes da Coordenação Política do governo, Sigmaringa é o que reuniria as maiores condições para unir governo e oposição. O Planalto descarta interferir no processo. Mas ontem, depois de ser recebido por Lula em audiência, o líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), prometeu procurar os líderes de governo e oposição para tentar um consenso.