Título: Trânsito cada vez mais equipado
Autor: Leandro Bisa
Fonte: Jornal do Brasil, 05/11/2004, Brasília, p. D-5
Novos aparelhos são testados freqüentemente pelo Detran. O mais recente são tachas que mudam de cor conforme o semáforo A mais recente bugiganga do Detran a ser colocada na rua, em caráter experimental, está no início da W3 Norte, desde a última segunda-feira. As tachinhas que dividem as faixas das pistas tem luzes que mudam de cor de acordo com o semáforo à frente - verde, amarelo ou vermelho. É mais um equipamento a ser testado, entre vários outros. Alguns estão sendo experimentados há anos, como um semáforo no Eixo Monumental, próximo à Torre de TV, instalado em 1995. A última novidade tem objetivo de evitar as freqüentes batidas no início da W3 Norte. O diretor da Divisão de Engenharia do Detran, José Simões Lima, explicou que os carros que saem da W3 Sul e passam por baixo dos viadutos do Eixo Monumental, enfrentam uma subida acentuada antes de entrarem na W3 Norte, onde existe um semáforo bastante ativo.
- Só existe uma placa indicando ''semáforo à frente''. A pessoa que está em baixo não sabe o que está acontecendo em cima. É muito comum um carro bater na traseira do outro - disse Lima.
Agora, quando o condutor estiver na subida de acesso à W3 Norte já vai saber qual é a situação do trânsito à frente.
- Vamos avaliar o comportamento da população. Os condutores têm que perceber isso intuitivamente. Se der certo, pretendemos colocar em outros pontos do DF, onde existam declives, como nesse caso, e onde haja curvas com sinais - explicou o diretor.
Segundo Lima, o Detran está sempre testando novos equipamentos. Um está prestes a ser instalado em todo o DF. São pequenas tachas de alumínio que serão instaladas antes das faixas de pedestres. Ele explicou que esse apetrecho, durante o dia, reflete a luz do sol ao mesmo tempo que absorve energia solar. Essa energia acumulada faz com que a tacha brilhe durante à noite. Dessa forma, poderão ser vistas ainda de longe pelos motoristas.
- Ela é feita de um equipamento especial. Cada uma custa R$ 300. Testamos elas durante um bom tempo, no nosso pátio mesmo, e vimos que é eficaz. Abrimos licitação para comprar quatro mil tachinhas dessas (R$ 1,2 milhão). Cada faixa de pedestres vai ter sete ou oito tachas - declarou Lima, acrescentando que a durabilidade do apetrecho é mais longa do que a da tinta no asfalto - atinge quatro anos.
Há cerca de 15 dias, o Detran fixou tachinhas de vidros em formato circular em volta do balão existente em frente às entradas das SQNs 107 e 307. De acordo com Lima, esses objetos refletem a luz dos faróis em todas as direções, e, por isso, os motoristas ficam mais alertas.
Outras bugigangas não podem ser vistas, como as que foram testadas recentemente em alguns semáforos da W3 Sul. Eles foram acoplados com no breaks que os mantêm ligados durante um blecaute, como o que aconteceu no centro de Taguatinga no mês passado, durante uma tempestade. Eram 19h e todos os semáforos estavam desligados. O local ficou caótico.
- Esse equipamento mantem o sinal funcionando por até três horas - disse Lima.
Sempre em teste - Existem alguns aparelhos que nunca saíram da fase do teste. O semáforo instalado no Eixo Monumental é um deles. Ele possui apenas luzes verdes e vermelhas, uma seqüencia de cada cor, uma sobre a outra, na vertical. Quando o sinal abre, todas as luzes verdes acendem e começam a se apagar uma a uma, até que todas estejam desligadas e a seqüencia de luzes vermelhas brilhe, repetindo o procedimento. Os testes começaram há nove anos.
- Esse sinal deixa os motoristas mais tranqüilos. O Denatran autorizou instalá-los em todo Brasil em caráter experimental. Mas até hoje não regulamentou seu uso. Pelo que eu sei, essa questão só entrou na pauta de regulamentação deles este ano e está esperando um parecer.
Outro aparelho está sendo testado na Estrada Parque de Indústrias Gráficas (Epig), na entrada do Sudoeste. É um semáforo cronológico, que marca o tempo em que está aberto e fechado. Esse, apesar de estar no local há três anos, disse Lima, não deve ser expandido para outras áreas. O Detran percebeu que muita gente acha que o tempo que aparece na tela se refere à velocidade da via.
Lima explicou que empresas especializadas em tecnologia e engenharia de trânsito emprestam esses equipamentos para os Detrans do Brasil inteiro, para que testem e, caso aprovem, os adquiram. Porém, é necessário licitação para isso. O problema é que esses aparelhos são patenteados e, geralmente, apenas a empresa fabricante tem autorização para comercializá-los. E, sem concorrência, o preço aumenta.