Título: Comandante convoca militares para posse
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 08/11/2004, País, p. A5

Alencar decidirá destino de general

Pivô do pedido de demissão de José Viegas do Ministério da Defesa, o comandante do Exército, general Francisco Roberto Albuquerque, convocou todos os oficiais generais da Força que atuam em Brasília a comparecerem hoje à cerimônia de posse de José Alencar, prevista para a partir das 11h, no Palácio do Planalto. A idéia é criar um efeito simbólico de prestígio do Exército ao nome do vice-presidente da República, indicado ao cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada para substituir o diplomata Viegas.

Na convocação, o general Albuquerque pediu que todos os oficiais se encontrem no início da manhã no Quartel General do Exército - o deslocamento de cerca de 40 generais ao Palácio do Planalto ocorrerá por meio de um ônibus da Força.

O comandante quer evitar acúmulo de carros oficiais e de motoristas do Exército na sede do Executivo - o que poderia passar aos civis uma imagem de arrogância da Força.

Oficiais da Marinha e da Aeronáutica também foram convocados a comparecer ao evento da posse do vice.

Na noite de sábado, na sede do Clube do Exército de Brasília, o general Francisco Roberto Albuquerque teve amostra de que sua atuação à frente da Força está em xeque diante dos militares. Em meio à apresentação, o cantor Jair Rodrigues pediu uma salva de palmas ao comandante do Exército - o que teria ocorrido de forma tímida, de acordo com relato passado por militares presentes no evento.

Alencar passa hoje a acumular o cargo de ministro da Defesa tendo de resolver o futuro do comandante do Exército. Desgastado entre os militares e prestigiado pelo Planalto, Albuquerque terá de atualizar suas explicações sobre a recente crise no setor ao alto comando da Força, em reuniões fechadas, entre terça e quinta, no Quartel General do Exército. Pesquisa elaborada semana passada pelo Centro de Comunicação Social do Exército apontou que 85% dos militares condenaram os procedimentos da Força durante a recente crise.

As questões internas, entretanto, são as únicas que Albuquerque precisa contornar para permanecer no cargo, pois já teve provas de que sua situação é mais confortável. Ele tem o apoio de integrantes da cúpula do governo e sabe que Viegas decidiu deixar o cargo depois de o presidente Lula ter dado o caso como encerrado após a nota de retratação.

Alencar torce e trabalha para que Albuquerque consiga reverter o clima negativo que tem hoje na Força, principalmente entre os oficiais da reserva. O vice teme que eventual demissão do comandante apenas iria vitaminar nova crise entre os militares.