Título: Banqueiro aponta coincidências
Autor: Renata Moura
Fonte: Jornal do Brasil, 21/09/2005, País, p. A4

O depoimento do presidente do banco BMG, Ricardo Magalhães, ontem na sub-relatoria da CPI dos Correios reforçou indícios de que o empresário Marcos Valério de Souza atuou como um intermediário dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o sub-relator da Comissão. ¿ Para mim, fica comprovado que Marcos Valério é um facilitador, são muitas as coincidências ¿ avaliou Gustavo Fruet (PSDB-PR), que ressaltou as datas de empréstimos feitos pelo banco às empresas de Valério e o encontro do banqueiro com o então ministro José Dirceu.

Guimarães relatou que nos dias 17 e 24 de fevereiro de 2003 fez dois empréstimos para agências de Valério em valores que ultrapassam R$ 15 milhões. No dia 20 do mesmo mês, acrescentou o banqueiro, Valério conseguiu agendar conversa com Dirceu no Palácio do Planalto.

O presidente do banco BMG também confirmou ter dado um emprego para a ex-mulher de Dirceu, Maria Ângela Saragoça, a pedido do empresário Marcos Valério e acrescentou que ele foi o responsável por agendar uma audiência da diretoria do banco com Dirceu. Maria Ângela trabalha no Departamento de Recursos Humanos do banco, em São Paulo.

¿ Ela foi contratada em novembro de 2003. Quem pediu foi o Marcos Valério ¿ confirmou Guimarães.

Em 2003 Marcos Valério intermediou um contrato de financiamento imobiliário no valor de R$ 42 mil no Banco Rural para a ex-mulher de Dirceu. O dinheiro foi usado para a compra de um apartamento. O imóvel antigo de Maria Ângela foi comprado por Rogério Tolentino, que é sócio do publicitário. Quando o caso veio à tona, a ex-mulher de Dirceu afirmou que foi usada por Marcos Valério.

O BMG concedeu empréstimo de R$ 2,4 milhões ao PT em 2003 e de R$ 40,4 milhões às empresas de Marcos Valério entre 2003 e 2004. Com saldo devedor de 3,3 milhões de reais, que está sendo executado judicialmente, Guimarães diz que aceitou o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex-presidente José Genoíno como avalistas por serem ¿figuras importantes¿.

¿ É um aval moral ¿ a firmou o banqueiro acrescentando que Valério também foi avalista e era um ¿empresário rico e conhecido¿.

O presidente do banco negou que tenha se favorecido com os créditos consignados (empréstimos com desconto em folha de pagamento), criados pelo governo em 2003, segmento que atualmente responde por 90% das atividades do BMG. Segundo ele, as operações não são exclusivas porque a Caixa Econômica Federal foi a primeira instituição a se interessar. (Com Agências)