O Estado de São Paulo, n. 46780, 15/11/2021. Economia p.B3

 

Guedes diz que governo precisa acelerar reformas para ter apoio de liberais

 

O ministro Paulo Guedes afirmou ontem que o governo agora precisa correr com a agenda econômica para garantir o apoio à reeleição do presidente Jair Bolsonaro no ano que vem. "Esperamos justamente acelerar as nossas reformas para garantir o apoio dos liberais", disse a jornalistas, durante viagem que faz em Dubai.

"Nosso governo é de centrodireita, então somos liberais na economia e conservadores nos costumes. Para que os liberais continuem nos apoiando, com uma reeleição do presidente, é preciso ter reformas.

Querem ver reformas administrativas, querem ver as privatizações avançando", afirmou.

De acordo com o ministro, apesar de a agenda liberal ter sempre sido uma das prioridades da política econômica do governo, muitas vezes o plano foi interrompido por causa de outros episódios, como a pandemia e outros temas como o do imbróglio dos precatórios (dívidas do governo já reconhecidas pela Justiça).

"Às vezes, as reformas foram interrompidas por causa de todas essas coisas que aconteceram, mas esperamos merecer a confiança dos liberais", disse o ministro em Dubai.

Guedes evitou fazer comentários sobre vários assuntos que, segundo ele, não estão relacionados a sua área, como o preço dos combustíveis e a questão envolvendo a Embraer, em que a Força Aérea Brasileira reduziu unilateralmente a compra dos cargueiros militares previamente contratados com a companhia. Ele alegou que o assunto cabe ao Ministério da Defesa (mais informações na pág. B6).

Da mesma forma, Guedes não quis falar aos jornalistas sobre a alta da inflação, dos juros e do petróleo. "Petróleo é assunto de Minas e Energia e inflação e juros são do Banco Central. Eu tenho minhas expectativas, mas não comento."

O ministro, no entanto, disse que o Brasil começou a reduzir tarifas de importação dentro do Mercosul. "Quero a modernização do Mercosul, para aumentar a oferta no momento em que a demanda está forte e a inflação está subindo."

Mais uma vez, ele disse que há muito pessimismo dos agentes econômicos com o Brasil. "Estamos muito otimistas. O crescimento da economia está contratado. Os juros vão subir um pouco para atacar a inflação, mas o crescimento está contatado: são R$ 700 bilhões (de investimentos programados). Não apostem contra a economia brasileira", disse.

Segundo Guedes, quem apresenta previsões negativas vai perder dinheiro. "Mais uma vez as previsões lá no Brasil vão ser equivocadas. Está todo mundo vendo que o Brasil não vai crescer e o que eu estou vendo é o contrário", defendeu.

Segundo ele, além dos R$ 544 bilhões em investimentos previstos, foram contratados mais R$ 150 bilhões com o leilão da tecnologia 5G, realizado no início do mês. "Já temos mais de R$ 700 bilhões em contratos. Acho muito difícil o Brasil não crescer no ano que vem. Quando disseram que o Brasil ia ficar em depressão, eu disse que ia voltar em V. Diziam que eu estava otimista, mas a economia voltou em V. Depois eu disse que o Brasil ia crescer e estamos crescendo 5,5%."/ CÉLIA FROUFE, LAURIBERTO POMPEU E FELIPE FRAZÃO, ENVIADO ESPECIAL A DUBAI

 

"Estamos muito otimistas. Os juros vão subir para controlar a inflação, mas o crescimento está contratado: são R$ 799 bilhões (em investimentos). Não apostem contra a economia brasileira"

Paulo Guedes

Ministro da Economia

 

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Ministro diz que estatal Valec é centro de corrupção e deveria fechar

 

Em Dubai, o ministro da Economia, Paulo Guedes, também declarou que a Valec, empresa estatal de ferrovias ligada ao Ministério da Infraestrutura, deveria ser fechada. "A Valec já tinha que ter fechado, centro de corrupção", disse Guedes.

A Valec, assim como quase a totalidade da área federal de transportes, costumava ser um feudo do PL, partido que o presidente Jair Bolsonaro negocia a filiação. Guedes também afirmou que apenas cinco estatais fecham os balanços anuais com saldo positivo.

"Nós ganhamos R$ 28 bilhões todo ano com as estatais superavitárias, só que a gente enterra na deficitárias", afirmou o ministro da Economia./ L.P., C.F. F.F.