Título: Policiais terão 120 dias para reunir provas
Autor: Duilo Victor e Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 21/09/2005, Rio, p. A13
A Polícia Federal tem 120 dias para reunir provas da origem ilícita dos bens confiscados dos 10 acusados de tráfico de drogas, presos pela Operação Caravelas, semana passada. Dentro do mesmo prazo, o inquérito precisa ainda provar o uso dos restaurantes Satyricon e Capricciosa no suposto esquema de lavagem de dinheiro. - O que temos são indícios de ligação das atividades comerciais desses acusados com o narcotráfico - disse o delegado Ronaldo Magalhães, chefe de Inteligência Policial da Coordenação-Geral de Repressão a Entorpecentes da PF de Brasília.
Ronaldo chegou ao Rio na segunda-feira para providenciar a transferência dos valores e bens apreendidos durante a operação. Além de 17 carros, também estavam sob custódia, na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), na sede da PF, na Praça Mauá, cerca de R$ 2,1 milhões, roubados entre a madrugada de domingo e a manhã de segunda-feira.
- Ao chegar, recebi a notícia que o dinheiro não havia sido depositado e que não estava no cofre - resumiu.
O delegado não opinou sobre o fato de o dinheiro não ter sido depositado em um banco.
- Essa é uma decisão que fica a critério da delegacia regional, responsável pelo material apreendido. Se o delegado não depositou, deve ter tido seus motivos - disse. - É possível que não tenha havido tempo suficiente para converter o dinheiro para a moeda do país e depositá-lo. As notas foram apresentadas à imprensa na sexta. No fim de semana, as instituições financeiras estão fechadas - ponderou.
Ronaldo disse ainda que aguarda autorização da 11ª Vara Criminal de Goiânia para antecipar a incineração da 1,6 tonelada de pasta de cocaína apreendida. O objetivo é destruir a droga no Rio, antes da conclusão do inquérito. Os 17 carros apreendidos no Rio com os acusados devem ser transportados hoje para Brasília. A transferência não aconteceu ontem porque até o fim do dia os dois caminhões que fariam o transporte não chegaram à sede da PF. De acordo com Ronaldo, por falta de espaço físico para armazenar os veículos em Goiás, onde estão concentradas as investigações sobre a quadrilha, a Justiça do estado autorizou a transferência para Brasília.
Os dois últimos presos na Operação Caravelas, Rocine Galdino de Souza e Márcio Junqueira de Miranda, foram transferidos na manhã de ontem do Presídio Ary Franco, em Água Santa, para a Polícia Federal de Goiás.