Título: Interesses em jogo na sucessão
Autor: Sérgio Pardellas
Fonte: Jornal do Brasil, 22/09/2005, País, p. A4

PT Alijado da Mesa Diretora da Câmara desde fevereiro, o partido do governo quer fazer valer sua condição de ainda ter a maior bancada para emplacar o novo presidente da Casa. Com o posto, ganharia um certo controle sobre a Câmara, onde estão sendo julgados os mandatos de sete deputados da legenda, e poderia brecar um possível pedido de impeachment contra o presidente Lula.

PMDB O partido, que já tem a presidência do Senado, consolidaria o papel de mais forte no Legislativo caso acumulasse a da Câmara. Isso reforçaria a sua pretensão de ser o principal aliado do governo, mas também reforçaria as possibilidades da legenda lançar, no ano que vem, um candidato próprio à Presidência da República

PFL A efetivação do vice José Thomaz Nonô como presidente da Câmara colocaria o partido oposição na confortável tarefa de ter o poder de decidir sobre a instalação ou não de um processo de impeachment contra Lula, e, em última instância, de ter o segundo na linha de sucessão. Também fortaleceria a posição do partido nas negociações para uma aliança com o PSDB nas eleições do ano que vem.

PSDB O partido deve optar por compor aliança com o PFL e apoiar o candidato da sigla nas eleições para a Casa. Em troca, tem um argumento a mais para recompor a aliança feita em 1994 e 1998, que trazia um tucano na cabeça-de-chapa e um pefelista como vice na disputa à Presidência.

PP O partido aumentou o seu poder dentro do governo ao conseguir o cargo de presidente da Câmara, que perde agora com a renúncia de Severino, ganhando, entre outras coisas, um lugar no ministério. Nada mais natural do que queira manter agora o status que conquistou, ainda mais quando tem os mandatos de quatro deputados envolvidos no escândalo do ¿mensalão¿ a proteger .

PTB O partido declarou sua independência do governo desde o início do escândalo do mensalão, com as denúncias do seu presidente licenciado Roberto Jefferson, mas não deixou o Ministério do Turismo, ocupado por Walfrido Mares Guia. A escolha de um petebista para a Presidência da Câmara poderia forçar o governo a tentar reconstruir as pontes com a legenda, que chegou a ser fortemente cogitada para fornecer o vice de Lula no próximo ano.

PSB e PC do B Deputados dos dois partidos são citados como opção do governo para driblar a resistência da oposição ao PT. Caso um deles seja o escolhido, o partido se torna a opção natural de Lula para a escolha do vice-presidente nas eleições de 2006.