Título: Bolsa bate recorde com fluxo positivo
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Fonte: Jornal do Brasil, 22/09/2005, Economia & Negócios, p. A19
A quarta-feira foi de euforia no mercado nacional. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 2,59% e bateu mais um recorde ao fechar o dia em 30.837 pontos, com volume financeiro de R$ 2,587 bilhões. No câmbio, o dólar recuou 1,08%, para R$ 2,275, menor patamar desde 10 de abril de 2002, quando a moeda americana cravou R$ 2,264.
A bolsa foi impulsionada por rumores de que o Brasil poderá ter um upgrade, com a melhora na sua classificação de risco pelas agências internacionais. O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, vai a Washington para se reunir com representantes das agências de risco.
Segundo Álvaro Borges, agente de investimento autônomo, a viagem de Levy gerou especulações no mercado sobre uma possível melhora na nota do Brasil.
Em tese, uma melhora do rating soberano - nota que mede o risco de o governo brasileiro não honrar o pagamento de títulos públicos - favorece a tomada de empréstimos no exterior, pois sinaliza uma chance menor de moratória na dívida.
A perspectiva de melhora da nota do país fez o risco Brasil voltar a cair ontem, depois de subir três pontos na terça-feira. O indicador tinha queda de 0,27% no fim do dia, para 363 pontos, menor patamar desde outubro de 1997.
A alta na Bovespa foi impulsionada também pelos ganhos expressivos das mineradoras Vale do Rio Doce e Caemi - do mesmo grupo -, que subiram após o aumento da recomendação de compra feita pela corretora Merrill Lynch.
As ações preferenciais da Caemi fecharam em alta de 8,05%. As preferenciais ''A'' da Vale subiram 4,74% e as ordinárias, 5,37%. Os três papéis ficaram entre os dez mais negociados da Bovespa.
A entrada de recursos estrangeiros também tem contribuído com a melhora do mercado acionário. Os investidores estrangeiros já trouxeram R$ 186 milhões para a Bovespa em setembro até o dia 15, contra saldo negativo de R$ 120,8 milhões em agosto.
No mercado de câmbio, o dólar comercial foi empurrado para baixo pelos ingressos de recursos no país e perspectivas de novas entradas no curto prazo. A divisa americana iniciou o dia em baixa e acentuou a queda principalmente no período da tarde, até fechar em R$ 2,275.
Miriam Tavares, diretora da corretora AGK, avalia que o dólar está ''sem limite de queda''.
- A liquidez está forte e há rumores de que a Gerdau já estaria ingressando com parte dos recursos captados no exterior - afirmou Miriam.
A Gerdau captou US$ 600 milhões em bônus perpétuos na semana passada. Além disso, o Brasil fez uma captação de R$ 3,4 bilhões também na última semana, por meio de uma emissão externa de títulos em reais.
A analista ressalta, entretanto, que a queda expressiva da divisa aumenta a expectativa em torno de uma atuação do Banco Central no câmbio, o que não acontece desde 11 de agosto.
- O mercado está testando um novo piso para o dólar para ver se o Banco Central atua no câmbio - afirmou Miriam.
Com Folhapress