Título: Paulo de Tarso Lyra e Daniel Pereira
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 23/09/2005, País, p. A3
A rejeição dos partidos aliados, principalmente o PMDB, à escolha do petista Arlindo Chinaglia (SP) para disputar a presidência da Câmara levou o líder do governo na Casa a abrir mão de sua candidatura em nome do ex-ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo. Rebelo entra na disputa com o apoio do PT, PSB e PCdoB. Apesar de ter a maior bancada na Casa, os petistas curvaram-se à crise política que os atinge e foram obrigados a abrir mão do direito a disputar a presidência da Câmara.
- Desde a renúncia de Severino Cavalcanti (PP-PE), a bancada governista procurava um nome que pudesse unificar as suas aspirações. Sou a segunda opção da maioria dos partidos mas, como o tempo é curto, resolvi retirar minha candidatura - reconheceu Chinaglia.
A sexta-feira será de reuniões. Os três partidos que apóiam Aldo Rebelo vão correr atrás, agora, dos demais integrantes da bancada governista. Para o líder do PSB, Renato Casagrande (ES), a situação mais complicada é a do PTB, que lançou a candidatura de Luiz Antonio Fleury Filho (SP). PP e PL também têm seus nomes, assim como o PMDB.
- Algumas lideranças importantes do PMDB sinalizaram que apoiariam o nome de Aldo. Reconhecemos, contudo, que os peemedebistas sempre têm dificuldade em unificar seus discursos - acrescentou Casagrande.
Foi justamente o PMDB quem expôs claramente ao Planalto que aceitaria apoiar um candidato da bancada governista, desde que não fosse do PT. Chegaram ameaçar manter a candidatura de Michel Temer (SP) ou até apoiar o pefelista José Thomaz Nonô (AL), de olho na primeira vice-presidência da Casa.
O aviso, que já havia sido ensaiado em um almoço na residência do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi ratificado ontem entre peemedebistas e petistas no Senado.
O PT levou menos de 24 horas para perceber que a intransigência da bancada, ao escolher um nome com carimbo governista e de difícil trânsito entre os aliados, poderia dar de bandeja a presidência da Câmara para a oposição. Ao meio-dia, quando os líderes bateram o martelo marcando a eleição para a próxima quarta, todos os partidos aliados tinham seus próprios candidatos.
O PSB apresentou o nome de Beto Albuquerque (RS). O PP apoiava por unanimidade a candidatura de Francisco Dornelles (RJ). Dornelles, contudo, afirmou que não seria jamais motivo de desacordo para a Casa e que, se não tivesse condições mínimas para disputar, abriria mão da candidatura em nome de Ciro Nogueira (PP-PI), Corregedor-Geral da Câmara e aliado de primeira hora de Severino Cavalcanti.
O PTB lançou um empolgado Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP), que reconheceu ser uma zebra, repetindo o papel de azarão quando da vitória para o governo de São Paulo. O PL dividia-se em dois nomes que fazem os olhos do baixo clero brilhar: João Caldas (AL) e Inocêncio Oliveira (PE). Caldas candidatou-se, mas Inocêncio faz charme. Os líderes afirmaram que Inocêncio presidirá a sessão de quarta. Logo, não poderá disputar.
Apesar de todas as negociações, Michel Temer (SP) não demonstrava muita disposição em recuar. Dizia acreditar na possibilidade de uma aliança com o PSDB. Mas os tucanos fecharam questão em torno de José Thomaz Nonô (PFL-AL), vice-presidente da Câmara. Só que os movimentos palacianos deixaram os tucanos preocupados.
- Se a eleição fosse hoje (ontem), o Nonô venceria fácil. Mas o governo deixou uma porta aberta para o PMDB. Se eles entrarem, o Planalto só perde se fizer muita bobagem - reconheceu um assessor do PSDB.