Título: Corregedoria não encontra quatro acusados do mensalão
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Fonte: Jornal do Brasil, 23/09/2005, País, p. A5

Quatro dos 16 deputados apontados como beneficiários do suposto esquema do mensalão não apresentaram suas defesas à comissão de sindicância da Corregedoria da Câmara no prazo determinado e nem sequer foram notificados para que se pronunciassem sobre as denúncias. Josias Gomes (PT-BA), José Janene (PP-PR), José Borba (PMDB-PR) e Vadão Gomes (PP-SP) não foram localizados durante toda a semana pela instância.

Desde a última segunda-feira, cinco funcionários da Câmara procuraram por eles nos gabinetes para que assinassem a notificação, mas nenhum foi encontrado até a noite de ontem. Após assinarem a notificação, ele têm prazo de até cinco sessões para entregarem sua defesa.

O corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), que havia estipulado a data de ontem como prazo limite para que eles se apresentassem e agendassem seus depoimentos à comissão, decidiu estender o prazo para até a próxima quarta-feira. Até agora, a comissão ouviu sete deputados.

Segundo Ciro, até a próxima sexta-feira o relatório da comissão, que será elaborado por Robson Tuma (PFL-SP), estará pronto para ser votado. Após ser votado na comissão, o parecer segue à Mesa Diretora, que determinará o encaminhamento ou não da lista de nomes ao Conselho de Ética.

Ciro prefere não falar na possibilidade de fragmentar as investigações em relatórios individuais, como gostariam alguns dos parlamentares investigados.

O deputado José Janene é a maior ameaça ao cumprimento do prazo da Corregedoria. Desde o início da semana, ele está fora de Brasília. Segundo colegas próximos, ele estaria em tratamento médico por conta de uma doença cardíaca. Ontem, a Liderança do PP confirmou que Janene vai tirar licença médica na próxima semana para se submeter a um ''transplante de células-tronco'', na tentativa de curar uma cardiopatia grave diagnosticada há mais de 10 anos. A licença pode ser de até 120 dias e, enquanto o parlamentar estiver licenciado o processo contra ele fica parado.

Janene nega, por meio de sua assessoria, que já tenha feito o pedido de aposentadoria por invalidez e que pretenda renunciar ao mandato. Oficialmente o deputado fez a consulta sobre o caso por orientação da sua equipe médica.

- Não há possibilidade de usar a aposentadoria para escapar da renúncia. É apenas uma consulta em função do grave problema de saúde que ele tem - justificou o colega João Pizzolati (PP-SC).

A Diretoria-Geral da Casa está indecisa quanto à inédita situação e quer despachar o pedido de consulta de Janene para avaliação da Mesa, que é a mais indicada no caso de um ''parecer que deixou de ser técnico-administrativo para ser um parecer político''.