Título: Além do Fato: Símbolo de resistência nacional
Autor: Seyed Jafar Hashemi
Fonte: Jornal do Brasil, 26/09/2005, Internacional, p. A9
Atualmente, diante das propagandas por parte do Ocidente e da criação de uma guerra psicológica contra o Irã no sentido de levar o programa de atividade nuclear do país ao Conselho de Segurança da ONU, surge a seguinte pergunta para muitas pessoas independentes no mundo: que acontecimento específico ocorreu no mundo? O Irã é membro da Agência Internacional da Energia Atômica e signatário do Tratado de Não-Proliferação de Armamentos Nucleares (NPT) e, segundo o último relatório do Sr. Mohamed Elbaradei, Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica, não tem cometido nenhuma violação do NPT. Segundo o parágrafo 51 deste relatório, os inspetores da Agência informaram a falta de provas no desvio das atividades nucleares do Irã com fins pacíficos no sentido da produção de armamentos nucleares. Se tudo está assim tão explícito e evidenciado, por que toda esta propaganda?
A resposta pode ser a seguinte: o acesso à tecnologia para os países em desenvolvimento significa a quebra do monopólio científico no mundo desenvolvido, com o Ocidente sempre tentando reservar todo este monopólio para si para que outros países dependam dele.
Com este raciocínio, os países em desenvolvimento, ao sentirem as sensibilidades existentes, podem impor barreiras contra as exigências ilegais e as políticas tutelares e arrogantes destes países a fim de que os imperialistas saibam que, por meio da força e da repressão, não podem privar os povos e as nações dos seus diretos legítimos de desenvolvimento sustentável.
As cooperações abrangentes com a Agência durante os últimos dois anos demonstram a direção das nossas atividades e comprovam ao mundo a não existência de desvio nas atividades e a não violação das normas internacionais traçadas no NPT.
Confirmado isso, o ocidente tentou, mais uma vez, por meio de outro truque, dar continuidade às suas imposições tentando politizar o assunto, apesar do relatório do Sr. Elbaradei, forçando a continuação da abertura do caso.
A situação da Agência e do mundo de hoje é bastante sensível. Os EUA e os europeus usam e abusam da Agência e dos organismos internacionais a fim de alcançarem seus fins políticos. Qualquer reconhecimento deste ato por parte dos membros da Agência ajudaria o unilateralismo feito pelos EUA e Europa no cenário internacional, a custo da repressão dos direitos dos outros.
Os países em desenvolvimento têm destino comum, que será resistir a este unilateralismo. Dominado pelo unilateralismo, o mundo chegaria à beira de situação muito alarmante e de extremo perigo.
Os pretextos impostos pelos EUA tais como atos unilaterais extraterritoriais, violação de soberania dos outros (invasão do Iraque com o motivo de encontrar armas de destruição em massa), tentativa de resolução de certas questões nacionais de outros países por meios exclusivamente militares ou por sanções econômicas, exclusão da diplomacia e da política de persuasão (imposição da democracia por força militar), transmissão dos conflitos internos por meio de uma guerra externa em outras regiões (Afeganistão) e a interferência nos assuntos internos dos outros países (Venezuela e Cuba) testemunham um conflito e uma crise internacionalmente profunda. O silêncio e a não reclamação por parte da maioria dos países não só ajudará no surgimento de uma ordem unilateral como também o próximo alvo poderá ser um deles.
Esta interferência na ordem unilateral um dia surge na Agência contra países como o Irã ou o Iraque e, no outro, surge em questões ambientais, fazendo com que protocolos, como o de Kioto, sejam desacreditados, ou ameaçando interesses de grandes países produtores agrícolas dentro da OMC, como o Brasil.
O Irã islâmico está convicto de respeitar plenamente os compromissos legais dentro do NPT e dos tratados adicionais concernentes as suas atividades nucleares e, neste sentido, tem aceitado as inspeções sobre todas as suas atividades.
Os Europeus expressam que o Irã não tem o direito de desenvolver o Ciclo de Combustível Nuclear. Considerando esta posição como um ato tutelar de outro país, o Irã também expressou a segurança de seus direitos como vontade nacional e que o mundo saiba: não abrimos mão do nosso direito.
O Ocidente, com suas arrogâncias e com a intenção de transferir o caso do Irã ao Conselho de Segurança da ONU, pretende nos intimidar, porém, há de saber que a República Islâmica do Irã, por força do apoio da população e da sua capacidade, jamais tentará o suicídio por receio!