Título: Governistas usam escândalo do apito para aliviar ataques
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Fonte: Jornal do Brasil, 27/09/2005, País, p. A4
Não é por acaso o empenho do vice-líder do PT, senador Tião Viana (AC). para que da CPI dos Bingos entre na investigação da chamada máfia do apito - responsável pela manipulação de resultados de partidas de futebol dos campeonatos Brasileiro e Paulista. Além de reforçar sua representação na CPI dos Bingos, onde é alvo de sucessivas derrotas, o governo vai tentar desviar o foco das investigações para o escândalo da manipulação de resultados de jogos de futebol. A denúncia envolve um árbitro e um empresário do ramo de jogos, em um esquema de apostas pela internet.
A CPI foi criada para investigar o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, acusado de cobrar propina de um empresário do setor de jogos. A comissão, no entanto, passou a investigar o assassinato do prefeito de Santo André (SP), o petista Celso Daniel, e denúncias de corrupção contra o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda), quando era prefeito de Ribeirão Preto (SP).
O senador do PT insiste na convocação do juiz Edílson Pereira de Carvalho e do empresário Nagib Fayad. Alguns integrantes da CPI querem apurar as ligações de Fayad também com casas de bingo.
Os governistas apostam no forte apelo popular desse caso, mas são minoria na CPI dos Bingos, que já foi apelidada até de ''CPI do fim do mundo'' devido aos reveses acumulados pelo Palácio do Planalto. A estratégia dos governistas pode não ter sucesso, já que a oposição é contra a convocação dos envolvidos no escândalo da arbitragem.
- É uma atitude diversionista. Estamos entupidos de denúncias - afirmou o líder do PFL, José Agripino (RN).
-Vou votar contra porque querem tumultuar a CPI dos Bingos - alertou o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Até o relator da comissão, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), é contra:
- A CPI está muito sobrecarregada e isso já está sendo apurado pelo Ministério Público - disse o peemedebista, que se dispôs somente a solicitar o inquérito para verificar se há conexão entre as investigações.
Em vez de denúncias no futebol, o PFL já avisou que hoje quer aprovar uma acareação entre Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e os irmãos de Celso Daniel, Bruno e João Francisco.
Em outra frente, o governo substituiu o senador Sibá Machado (PT-AC) por Eduardo Suplicy (PT-SP) e colocou a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) como suplente da CPI, na tentativa de reforçar sua ofensiva. Esses parlamentares são considerados mais experientes.
Além da sessão administrativa, a comissão ouve hoje Donizeti de Carvalho Rosa, ex-secretário de Governo da Prefeitura de Ribeirão Preto em 1994, 2001 e 2002, quando o ministro Antonio Palocci era prefeito. Os senadores investigam suposto caixa dois na campanha de Palocci em 2000 e na do presidente Lula em 2002.
Antes de ouvir Rosa, a CPI tomará o depoimento de Luciano André Maglia, ex-gerente financeiro da empresa Villimpress de Ribeirão Preto. No dia 29 de agosto, Maglia disse ao Ministério Público Estadual que um esquema de caixa dois funcionou na eleição de Palocci e na campanha de Lula, coordenada pelo ministro.