Título: Quem é Aldo Rebelo
Autor: Sérgio Pardellas
Fonte: Jornal do Brasil, 29/09/2005, País, p. A4
De ministro ¿fritado¿ pelos petistas, quando Lula apontou seu nome para a Coordenação Política, o alagoano Aldo Rebelo se tornou a escolha perfeita para o Planalto por ser considerado conciliador e ter bom trânsito entre os partidos que compõem a coalizão do governo. Na primeira reforma ministerial de Lula, realizada em janeiro de 2004, Aldo assumiu a pasta da Coordenação Política, mas ficava à sombra de José Dirceu, que sempre cuidou das articulações quando estava na Casa Civil. Dirceu e Aldo rivalizavam por espaço no governo. Muitos petistas desejavam o retorno efetivo de Dirceu à coordenação, mas Aldo resistiu como fiel aliado de Lula.
Ganhou reconhecimento do presidente ao obter sucesso nas negociações políticas que levaram o governo a aprovar as reformas tributária e da Previdência na Câmara, peças legislativas prioritárias do governo em 2003, tendo inclusive o apoio de parte da oposição. No entanto, alguns políticos criticam o modo de atuação de Aldo e dizem que as vitórias foram conquistadas porque o novo presidente costuma formar consensos com a alocação de benefícios o que resulta na atração de partidos fisiológicos para o interior do governo.
Nas movimentações em torno de sua candidatura, aglutinou o apoio do PSB e do PP, transferindo os votos que seriam do afilhado politico de Severino Cavalcanti, Ciro Nogueira (PP-PI), decisivos para sua vitória no segundo turno. Aldo conquistou também alguns votos do PMDB com a adesão de um conterrâneo, o presidente do senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
O novo presidente da Câmara iniciou sua vida política em movimentos estudantis durante o regime militar. Em 1977, já fazia parte das direções regional e nacional do Partido Comunista do Brasil. Três anos depois foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), em eleição direta. Apesar de atuar em um partido que leva o comunismo no nome, foi filiado ao PMDB no início do processo de redemocratização e permaneceu na sigla até 1985 quando se transferiu formalmente para o PC do B.
Foi eleito vereador por São Paulo em 1988, mas não completou seu mandato. Dois anos depois conseguiu uma cadeira para a Câmara dos Deputados pela primeira vez e está em sua quarta legislatura.