Título: Rosinha é o trunfo de Garotinho
Autor: Ramien Brum
Fonte: Jornal do Brasil, 29/09/2005, País, p. A6
A governadora Rosinha Matheus poderá ser o trunfo do marido e secretário de Governo, Anthony Garotinho, para pressionar o PMDB a aprovar sua candidatura à Presidência da República. Para isso, a governadora deve anunciar amanhã, quando expira o prazo para mudança de legenda, sua filiação ao Partido Social Cristão (PSC) onde teria direito a concorrer à Presidência. De acordo com integrantes do PSC, a solenidade de filiação acontecerá ainda amanhã no Palácio Guanabara.
Uma reunião entre integrantes do Partido Trabalhista Cristão (PTC) e do PSC na segunda-feira, em Brasília, definiu que a governadora será candidata à presidência caso Garotinho saia derrotado das prévias do PMDB para escolher o candidato do partido que concorrerá à sucessão do Planalto. A decisão foi tomada para reafirmar o apoio dos partidos à candidatura de Anthony Garotinho.
O ex-governador encontra resistências no PMDB, principalmente na ala governista. Com a manobra do PSC e do PTC, o casal garantiria o apoio de pelo menos uma legenda, já que Garotinho exerce influência sobre o diretório regional do PSC.
Para ser lançada candidata à Presidência, Rosinha teria que renunciar ao governo do Estado, o que faria assim que fosse tomada a decisão, segundo alguns de seus aliados. Caso isso aconteça, Garotinho tentará uma vaga como deputado federal. No entanto, se o secretário sair vitorioso das prévias no PMDB, a governadora poderia entrar na disputa por uma vaga no Senado.
Segundo o deputado estadual Marco Figueiredo (PSC), a ida de Rosinha para o partido não deve enfraquecer a representação do PMDB na Assembléia Legislativa, já que Garotinho reafirmou que não abandonará a legenda. O ex-governador garantiu que mesmo fora da disputa para a Presidência não está nos planos apoiar nem PT nem PSDB.
Ontem, na movimentação de troca-troca partidário, era dado como certa a volta do deputado federal e ex-ministro das comunicações Miro Teixeira para o PDT. Miro se filiou ao PT porque o PDT era contra sua presença na Esplanada dos Ministérios.
Ainda ontem, o senador Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, anunciou que deixou de fazer parte dos quadros do PL. Tendo menos de 48 horas para se filiar a outro partido, o ex-líder do PL no Senado ainda não anunciou oficialmente sua nova opção partidária. A expectativa é que ele irá para o Partido Municipalista Renovador (PMR), fundado pelo também bispo Edir Macedo.
De acordo com a assessoria do senador, Crivella já teria cogitado a sua saída do PL há 15 dias. A saída do vice-presidente da República José Alencar teria motivado o senador a deixar o partido cujo presidente, Valdemar Costa Neto, renunciou ao mandato de deputado federal após ter seu nome envolvido no escândalo do mensalão.
Por outro lado, rumores em Brasília dão conta de que Crivella teria deixado o PL por ter tido duas significativas perdas recentemente: não conseguiu o controle do PL no Rio de Janeiro e perdeu pelo quorum de 40 a 1 a proposta de fusão do PL com o PP e o PTB.