Título: Queda-de-braço por refinaria
Autor: Ricardo Rego Monteiro
Fonte: Jornal do Brasil, 29/09/2005, Economia & Negócios, p. A17
A queda-de-braço entre a Petrobras e o governo do Rio pela instalação de uma refinaria petroquímica no estado atrasará para outubro a definição do local do novo empreendimento. A pendência já começa a ganhar contornos de uma guerra sem quartel, com estilhaços atingindo até a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). O subsecretário estadual de Energia, Marco Abreu, deixou claro ontem que a governadora Rosinha Matheus deverá recorrer à legislação ambiental para impedir a construção da nova unidade de US$ 6,5 bilhões que a Petrobras e, principalmente, o Grupo Ultra querem construir no município de Itaguaí, próximo ao Porto de Sepetiba.
Abreu, que defende a instalação da unidade no distrito de Guriri, em Campos dos Goytacazes - base eleitoral da governadora -, chegou a afirmar que o projeto da Petrobras poderá transformar Itaguaí na ''nova Cubatão'', em alusão ao município paulista que na década de 70 ganhou as manchetes de todos os jornais por causa dos impactos ambientais do parque petroquímico e refinador lá instalado. Ele também rechaçou de forma categórica os argumentos do presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, de que o projeto custará R$ 600 milhões a mais caso seja realmente implementado no Norte fluminense.
Segundo Abreu, o empreendimento ficará mais caro justamente se for instalado em Itaguaí, região que deverá alcançar, nos próximos quatro anos, um alto índice de ocupação industrial. Além da instalação da siderúrgica CSA, da Companhia Vale do Rio Doce com a alemã ThyssenKrupp, também estão previstos para a região projetos da nova siderúrgica da Gerdau e a ampliação da Cosigua.
- Estamos tentando evitar que a refinaria faça uma nova Reduc ou Cubatão. Itaguaí corre o risco de ser uma Reduc piorada, que já vai nascer sob uma enorme pressão ambiental - afirmou.
Dotada de uma tecnologia inovadora no país, a unidade prevê o refino de aproximadamente 150 mil barris por dia de petróleo do tipo pesado, extraído da Bacia de Campos, e sua conversão em derivados nobres, como diesel, GLP e nafta petroquímica. Também prevê a conversão em matérias-primas petroquímicas, como eteno e propeno.
Abreu participou, juntamente com Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, de palestra da nova presidente da Petrobras Química S/A (Petroquisa), Maria das Graças Foster, na sede da Firjan. Na ocasião, Foster negou que o projeto estivesse sofrendo interferências políticas. Segundo ela, a localização do empreendimento ainda não foi decidida por causa de indefinições de caráter técnico. Ela revelou que, por não querer se comprometer com os prazos do projeto, a definição de sua localização deverá ser feita em outubro. (R.R.M.)