Título: Nova refinaria custará US$ 2,5 bi
Autor: Karla Correia
Fonte: Jornal do Brasil, 30/09/2005, Economia & Negócios, p. A22

Brasil e Venezuela oficializaram a decisão de construir a refinaria de petróleo em parceria entre a Petrobras e a estatal venezuelana PDVSA no estado de Pernambuco. O acordo bilateral foi assinado ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe de estado venezuelano, Hugo Chávez.

A obra deve consumir investimentos conjuntos superiores a US$ 2,5 bilhões, na estimativa das duas estatais envolvidas no empreendimento. A escolha de Pernambuco, que concorria com Ceará, Maranhão, Sergipe e Rio Grande do Norte pela preferência da PDVSA, teve influência direta de Hugo Chávez, que nunca escondeu sua preferência pelo estado para sediar a nova refinaria. O principal motivo seria a infra-estrutura do porto de Suape, por sua posição estratégica no litoral do Nordeste.

A refinaria General Abreu e Lima terá capacidade para processar 200 mil barris de petróleo por dia. A produção será dividida meio a meio entre as duas gigantes sul-americanas do petróleo, assim como os investimentos para a construção. Essa estratégia assegura a divisão do risco de mercado entre as duas estatais, em um projeto de processamento de óleo pesado em grande escala que se inicia justo em um momento em que a capacidade mundial de refino está prejudicada.

O principal objetivo, no mercado brasileiro, é atender o crescimento da demanda de derivados de petróleo no Nordeste, hoje deficitário em combustíveis. A região também se beneficiará com a geração de 230 mil empregos com a construção e montagem da refinaria. Para o governo venezuelano, o principal interesse atendido é a entrada no mercado brasileiro.

Além do acordo bilateral sobre a refinaria General Abreu e Lima, foram assinados ontem mais quatro projetos. Entre eles, um acordo sobre a formação de uma joint venture para desenvolver campos de hidrocarbonetos na Venezuela e uma parceria para exploração das reservas de petróleo da faixa do Orinoco, também na Venezuela.

À noite, a Petrobras e a petroquímica Braskem anunciaram mais um passo para o aumento de 10% para 30% da participação da petroleira no capital da empresa do grupo Odebrecht. Ontem, as duas empresas acertaram que, caso opte pelo aumento, a Petrobras incorporará à Braskem suas participações na Copesul e na Petroquímica Triunfo, do Rio Grande do Sul, e da Petroquímica Paulinia, a nova fábrica de polipropileno que será construída em São Paulo. Na mesma reunião de que definiu a questão, as diretorias das duas empresas também acertaram a prorrogação do prazo para definição sobre o aumento da participação da Petrobras, de 31 de dezembro para 31 de março.