Valor Econômico, v. 20, n. 4889, 28/11/2019.Política, p. A14
Executiva do PSL recomenda suspensão de Eduardo Bolsonaro
Andrea Jubé
A Executiva Nacional do PSL recomendou ontem a suspensão das atividades partidárias do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e de mais 13 parlamentares, e a advertência escrita a outros quatro deputados. As recomendações foram encaminhadas ao diretório nacional, instância máxima do partido, que deverá validá-las em reunião convocada para a próxima semana.
As sanções foram recomendadas ao grupo de deputados dissidentes, que ficou do lado do presidente Jair Bolsonaro no embate interno do partido, e acabaram submetidos ao Conselho de Ética por supostas violações ao estatuto partidário.
A Executiva Nacional sugeriu a suspensão das atividades partidárias de Eduardo Bolsonaro por um ano. Nessa hipótese, ele fica impedido de exercer a liderança, de falar em nome do partido no plenário e nas comissões, e de relatar projetos. O colegiado também sugeriu a suspensão por um ano dos deputados Daniel Silveira (RJ), Bibo Nunes (RS) e Alê Silva (MG).
A Executiva também recomendou a suspensão das atividades partidárias dos deputados Sanderson (RS), por dez meses; do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (GO) e do deputado Carlos Jordy (RJ), por sete meses; dos deputados Filipe Barros (PR), Bia Kicis (DF), Carla Zambelli (SP) e Márcio Labre (RJ) por seis meses; dos deputados General Girão (RN), Cabo Junio Amaral (MG) e Luiz Phillipe de Orleans e Bragança (SP) por três meses.
Aos deputados Aline Sleutjes (PR), Chris Tonietto (RJ), Hélio Lopes (RJ) e Coronel Armando (SC) coube a pena de advertência escrita.
Uma fonte que participou da reunião da Executiva disse ao Valor que as sanções foram aplicadas conforme as provas produzidas nos processos. A avaliação é de que se fossem considerados fatos veiculados pela imprensa, como o vazamento dos áudios obtidos pelo deputado Daniel Silveira - que gravou reunião da bancada ainda sob a liderança do Delegado Waldir (GO) - ele e Eduardo poderiam ser punidos com a pena de expulsão por infidelidade partidária. Neste caso, o partido poderia reivindicar o mandato de ambos na Justiça.
O afastamento de Eduardo e dos vice-líderes Bia Kicis e Filipe Barros cria um vácuo de liderança do governo na Câmara. A turbulência na articulação agravou-se com o afastamento da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) da liderança do governo no Congresso, quando o governo perdeu um quadro estratégico que transitava entre várias bancadas e costurava acordos.
Suspensos das atividades partidárias, os deputados não podem exercer os cargos de líder e vice-líder, encaminhar a votação de matérias, relatar propostas ou exercer qualquer atividade relacionada ao partido, como assinar as listas para a eleição do próximo líder da bancada.
Depois que Eduardo for afastado do cargo de líder, o PSL substituirá os integrantes da CPMI das Fake News - Filipe Barros e Bia Kicis - por quadros não alinhados ao governo.
Carla Zambelli reagiu nas redes sociais à decisão da Executiva Nacional, acusando o partido de tentar silenciá-la. “Não posso falar em comissões, no plenário, assinar lista de líderes, não posso exercer meu poder de fala”, protestou.