Título: Troca-troca altera perfil
Autor: Israel Tabak
Fonte: Jornal do Brasil, 02/10/2005, País, p. A4

Os partidos governistas mais prejudicados com as desfiliações foram PT e PL. O primeiro chegou a perder brevemente o status de maior bancada da crise, já que em junho possuía 91 integrantes. Ontem somou 83 e garantiu a maioria. Na lista dos que deixaram o PT, figuram nomes expressivos, como Miro Teixeira (RJ), ex-líder do governo e ex-ministro das Comunicações na gestão Lula, que se filiou ao PDT.

- Miro saiu do PT de forma muito respeitosa, prometeu trabalhar pelo governo dentro do PDT. Nossa interlocução com os pedetistas está muito boa - disse Henrique Fontana, líder do PT na Câmara.

Atingido em cheio pelas denúncias do mensalão, o PL assiste à desidratação de sua bancada, que perdeu o maior número de deputados desde o dia 6 de junho, quando surgiu a acusação de que a legenda recebia mesada do governo.

O então PL do vice-presidente José Alencar e do ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP) foi um dos partidos que mais engordaram após 2002 devido à ação do Planalto, que se repete agora com outro fiel aliado, o PSB. Eleito em uma aliança com o PT, Alencar trocou o PL pelo recém-criado PMR (Partido Municipalista Renovador), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus.

Os liberais elegeram 26 deputados em 2002, mas somavam 53 - mais do que o dobro - no dia 6 de junho, data em que Roberto Jefferson (PTB) fez as denúncias do mensalão, citando entre os beneficiários do suposto esquema o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, que renunciou quase dois meses depois, seguido por outro integrante do partido, o ex-deputado Carlos Rodrigues (RJ).

Ontem, quando expirou o prazo para as trocas de partidos por políticos que pretendem disputar as eleições do ano que vem, a bancada do PL contabilizava 38 deputados - redução de 28,3%.

- O estrago dessa crise é evidente. Atrapalhou a gente, mas os outros partidos tiveram queda menor. É que as saídas do PL já estavam previstas, em sua maioria - afirmou o presidente do PL, que apontou uma série de motivos regionais para explicar as desfiliações.

Na contramão do esvaziamento do PL, o PSB se tornou o destino escolhido pelo Planalto para a migração interpartidária. O partido elegeu 22 deputados, mas sofreu uma debandada quando Anthony Garotinho deixou a sigla. Tinha 17 integrantes na data das denúncias do mensalão, e fechou a semana com 29, um aumento de 70,6% em relação a junho.

- O salto foi fruto de uma política coerente do PSB. Somos responsáveis e não fomos alvo de denúncias na crise política - afirmou Renato Casagrande (ES), líder do PSB na Câmara.