Valor Econômico, v. 20, n. 4835 12/09/2019. Política, p. A14
PT do Senado sinaliza apoio ao nome de Augusto Aras para a PGR
Isadora Peron
Renan Truffi
A bancada do PT no Senado sinalizou apoio ao nome escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para comandar a Procuradoria-Geral da República (PGR). O discurso mais crítico à Lava-Jato adotado pelo subprocurador Augusto Aras agradou os petistas.
Os seis senadores do partido reuniram-se ontem com Aras. Após a conversa, a indicação foi a de que a bancada não vai colocar empecilho para a aprovação do subprocurador na Casa.
Ontem, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), leu no plenário a mensagem presidencial que oficializa a indicação de Aras para o cargo. Desta forma, o processo começa a tramitar oficialmente na Casa.
Desde o início da semana, Aras começou uma peregrinação pelos gabinetes do Senado para garantir os votos necessários para se tornar PGR - ele precisa do apoio de 41 dos 81 senadores.
Após o encontro com os petistas, um dos aspectos apontados como positivos foi o fato de Aras ter indicado que usará o cargo para "fazer justiça" e não para "perseguir políticos ou a política". Os senadores também afirmaram que o subprocurador disse que, à frente da PGR, não vai apenas "acusar", mas também "absolver" aqueles que seriam "injustiçados", palavra costumeiramente usada pelo partido para se referir ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"As conversas foram esclarecedoras de diversos pontos. Há uma preocupação do indicado em que a instituição Ministério Público seja maior do que a corporação. E isso é muito importante: que ele assegure o papel do MPF com estrita observância à Constituição", disse o líder do PT, senador Humberto Costa (PE).
Um interlocutor petista também afirmou que, após a prisão de Lula, não é o PT que vai se indispor com o novo PGR porque ele não fez parte da lista tríplice.
Pela primeira vez desde 2003, um presidente ignorou a tradição de indicar o primeiro colocado da eleição interna promovida pela categoria. A lista tríplice é apontada como um dos instrumentos que garante a independência do MPF.
Na reunião, o subprocurador também ouviu uma longa exposição do senador Jaques Wagner (PT-BA), que criticou duramente a "ideologização" do MPF. O senador, no entanto, teria pedido um voto de confiança a Aras, que, assim como ele, também é baiano. A suposta proximidade de Aras com setores da esquerda fez Bolsonaro ser alvo de críticas nas redes sociais.
Além dos petistas, Aras também visitou ontem o filho do presidente, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), e José Serra (PSDB-SP). Na noite anterior, foi recebido na casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que é alvo da Lava-Jato.