Título: PT quer segurar radicais
Autor: Renata Moura
Fonte: Jornal do Brasil, 01/10/2005, País, p. A3

Fragilizado pela debandada de sete deputados federais no último mês, o PT agora quer segurar quem decidiu ficar e está disposto a esquecer rusgas anteriores em nome da unidade. O partido viu a bancada federal cair de 90 para 83 parlamentares. O ''perdão'' a cinco deputados federais que estão suspensos da bancada será discutido na segunda-feira, em reunião da Executiva Nacional, por sugestão do líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS).

Fontana enviou ontem proposta formal à Executiva sugerindo o cancelamento das penas contra os deputados Walter Pinheiro (BA), Dra. Clair (PR), Paulo Rubem (PE), Mauro Passos (SC) e Virgílio Guimarães (MG). Os quatro primeiros são ''radicais'' que em junho votaram contra a proposta do governo de elevar o salário mínimo para R$ 260. Virgílio foi punido por desafiar a bancada e se lançar candidato ''avulso'' à presidência da Câmara em fevereiro.

As punições aos deputados foram administradas pelo PT antes da crise política, quando a direção partidária tinha poder dentro da legenda, antes desmoralizada pelo escândalo do mensalão.

Fontana diz que foi levado a propor o gesto em razão da decisão de Pinheiro, Clair, Rubem e Passos de permanecerem no partido, ainda que em dissidência. Eles foram punidos juntamente com outros cinco deputados federais que na semana passada se bandearam para o PSOL.

Na Executiva, a tendência é por aprovar a absolvição dos quatro deputados radicais.

- Creio que a reunificação da bancada pode acontecer, desde que eles mostrem compromisso de respeitar as decisões das instâncias partidárias -, disse o secretário de Relações Internacionais do PT, Paulo Ferreira.

Já a situação de Virgílio é mais complicada, até porque ele declarou voto em Luiz Antônio Fleury (PTB-SP) para presidente da Câmara nessa semana. Virgílio não foi localizado ontem. (FP)