Título: Greenhalgh diz que seqüestro foi filmado
Autor: Sérgio Pardellas
Fonte: Jornal do Brasil, 05/10/2005, País, p. A2

O deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) disse ontem na CPI dos Bingos, que uma fita de vídeo pode dar nova versão ao assassinato do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, em 2002. Policiais federais que atuam na CPI vão atrás da gravação a partir de amanhã. Greenhalgh atuou como advogado nas investigações do assassinato a pedido de Luiz Inácio Lula da Silva, então candidato a presidente.

A fita estaria em poder de um pastor evangélico chamado Paulo Mansur Addad. Um mês após a morte de Celso Daniel, ele procurou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), falando sobre a gravação. O senador disse que comunicou a existência da fita a Greenhalgh.

Segundo o senador, Addad relatou que, no dia do seqüestro de Celso Daniel, estava em casa filmando uma festa de aniversário, quando resolveu fazer imagens da rua. Ele teria filmado o momento em que o carro do ex-prefeito, uma Pajero, foi fechada por seqüestradores.

A filmagem indicaria que Sérgio Gomes da Silva, empresário e segurança do prefeito que conduzia a Pajero, estaria comandando o crime. Isso reforça a possibilidade de o ex-prefeito ter sido vítima de um esquema de corrupção.

Até hoje, Addad não entregou a fita. No início de setembro, no dia do depoimento à CPI de João Francisco Daniel, irmão do prefeito, Addad recebeu uma passagem aérea de Suplicy para vir a Brasília, mas não compareceu.

O senador disse que esperava mostrar a fita a Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete de Lula, e ao próprio presidente.

Greenhalgh insistiu na versão de que o ex-prefeito foi vítima de seqüestro seguido de morte. Não seria, portanto, um crime político. Ex-mulher de Celso Daniel, Ivone Santana assistiu ao depoimento. Ela disse que, com base nas investigações, acredita que o crime não teve motivação política. Ela reclama que não foi sequer convocada pela Promotoria para depor.

Bruno e João Francisco, irmãos do prefeito, dizem que este foi morto devido a um esquema de corrupção.