Título: Federal investiga máfia da delação premiada
Autor: Sérgio Pardellas
Fonte: Jornal do Brasil, 05/10/2005, País, p. A2

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse ontem, em São Paulo, que a Polícia Federal investiga uma quadrilha de estelionatários que estaria negociando a delação premiada em troca de vantagens. Segundo o ministro, o inquérito, em sigilo, apura a ação de grupos que procuram réus de crimes já julgados e condenados para oferecerem redução de pena com a delação de comparsas em troca de pagamento.

- A PF investiga o grupo que poderia ser chamado de corretores de delação premiada, que procura réus condenados e propõe, em troca de diferentes pagamentos, alguns em dinheiro e outros em favores de outra espécie, a redução de pena, mediante adesão e outorga de procuração - disse o ministro, ao participar do ''11º Seminário Internacional do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM).

De acordo com Thomaz Bastos o crime que vem sendo praticado é claro:

- Isso é estelionato. A pessoa querer usar um ardil para enganar outra e obter uma vantagem - resumiu o ministro, garantindo, entretanto, que policiais federais não estão envolvidos.

Ainda na avaliação do ministro, há abuso com relação à delação premiada. O empresário Rogério Tadeu Buratti, ex-assessor do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, por exemplo, conseguiu ganhar a benesse. Thomaz Bastos ainda fez referência indireta ao doleiro Toninho da Barcelona.

- Eu mesmo já fui vítima disso, quando um sujeito foi depor e perguntaram o nome de pessoas e o próprio advogado dele apontou meu nome na lista, mas depois ele desmentiu - lembrou Thomaz Bastos.

O ministro negou, entretanto, que o novo inquérito tenha relação com as acusações feitas pelo doleiro:

- Esse negócio de envolver meu nome nem tem muito a ver com delação premiada. O que houve foi depoimento feito em um lugar e que depois foi retratado. Esse depoimento tinha sido forçado. Essa outra investigação é sobre estelionato e está sendo feita já há bastante tempo.