Correio Braziliense, n. 21714, 29/08/2022. Política, p. 2
Corrupção e sigilo
Corrupção, miséria e pandemia foram temas importantes no no primeiro debate entre os presidenciáveis. Em vários momentos, esses assuntos foram marcados pela polarização entre os candidatos Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Um dos momentos tensos ocorreu quando o petista perguntou à senadora Simone Tebet (MDB), integrante da CPI da Covid, se houve corrupção no enfrentamento à pandemia e negligência por parte do governo Bolsonaro. Na resposta, a candidata disse que o presidente da República “negou vacina, atrasou 45 dias, muitas pessoas poderiam estar entre nós e não estão por culpa da insensibilidade de um governo que não coloca vacina no braço do povo brasileiro”.
E arrematou: “Eu confirmo que houve corrupção. Houve tentativa de comprar vacinas superfaturadas”, afirmou a candidata sobre o caso Covaxim — vacina indiana não aprovada pela Agência Naiconal de Vigilância Sanitária (Anvisa) e cuja compra geraria um rombo de R$ 1,6 bilhão ao Ministério da Saúde.
Minutos após o ataque de Lula, Bolsonaro deu o troco. Nas considerções finais, chamou o rival de “ex-presidiário” em duas ocasiões. E disse que o país não merecia a volta do petista ao Palácio do Planalto.
Em reação, Lula pediu direito de resposta, no qual foi atendido. “Estou aqui candidato para ganhar as eleições e, em um decreto só, vou apagar todos seus sigilos porque quero descobrir o que você tanto (esconde)...”, disse o petista.
Segundo a Lei de Acesso a Informação, o sigilo pode ser imposto quando a divulgação dos dados viola a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem de uma pessoa.
Bolsonaro acumula seis pedidos de sigilo de 100 anos, prazo máximo estabelecido na lei. Entre eles encontra-se o seu cartão de vacina, os dados dos crachás de acesso dos seus filhos Carlos e Eduardo nas reuniões entre o presidente e pastores envolvidos em um suposto esquema de corrupção no Ministério da Educação.
Em outros momentos do debate, Bolsonaro também mencionou o tema de corrupção. Em crítica implícita a Lula, disse que pretende manter o Auxílio Brasil em R$ 600 no próximo ano respeitando as regras fiscais. Essa mesma disciplina, segundo o presidente, foi aplicada na redução do preço dos combustíveis. E concluiu: “Como eu consegui recursos? Não roubando”.
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