Título: Renúncia provoca divergência
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Fonte: Jornal do Brasil, 08/10/2005, País, p. A4
O candidato à presidência do PT Raul Pont não quer que os deputados dispostos a renunciar para escapar a uma provável cassação se candidatem pelo partido às eleições de 2006. A tese já havia sido defendida antes pelo presidente interino da legenda, Tarso Genro. Ricardo Berzoini, candidato do Campo Majoritário à presidência do PT, diverge de Pont (Democracia Socialista):
- Temos vários deputados questionando a maneira como a Corregedoria e o Conselho de Ética da Câmara vêm agindo em relação ao processo de apuração de responsabilidades.
Segundo Berzoini, se houver renúncia após configurada culpa, é uma renúncia para fugir das responsabilidades. Mas se houver renúncia para escapar de um processo de apuração tumultuado e equivocado, isto significa, na sua opinião, um expediente de proteção dos direitos individuais destes parlamentares.
As opiniões foram expressas pelos candidatos durante o debate interno, dois dias antes do segundo turno da eleição no PT, que ocorre amanhã.
Depois de questionar a atitude da direção do partido frente às acusações de corrupção contra líderes petistas, Pont lembrou que a base social do PT, expressa pelos 315 mil filiados que foram votar no primeiro turno do PED (Processo de Eleições Diretas), representa uma resposta excepcional à crise, além de mostrar a singularidade do partido.
-Temos que responder à base sobre a falta de celeridade nas punições e na resposta à crise'', declarou.
Berzoini ressaltou a ''correção'' da sindicância instalado no PT e criticou setores do partido, inclusive da tendência de Pont, que teriam se comportado de forma antiética ao atropelar o processo de apuração e punir ''companheiros com história no PT e que ajudaram a construir o partido''.
O candidato da Democracia Socialista sugeriu que o PT defaça uma avaliação sobre a gestão coletiva dos instrumentos partidários.
- Precisamos recuperar autonomia, para manter o processo de crítica e autocrítica. Temos que ter autonomia para estabelecer diálogo com o governo e com os movimentos sociais - disse Pont.
Já o candidato do Campo Majoritário, concorda que é necessário estabelecer distinção entre o papel do partido e do governo. Segundo Berzoini, Tarso Genro já está colocando em prática esta delimitação.
Pont criticou ainda a atuação da bancada petista na defesa da reforma política que tramita no Congresso.
- Este é um tema que deveríamos ter resolvido com mais presteza. Temos um debate interno, temos uma posição sobre isto, mas não expressamos tudo isto.
Berzoini não concordou com a avaliação do colega de partido:
- O Brasil precisa de uma reforma política para escapar do sistema partidário pulverizado e a bancada tem defendido com ênfase e determinação.
Um dos pontos mais polêmicos do debate foi a discussão em torno da política econômica. Pont afirmou não se lembrar de qualquer registro, nos documentos do PT, que façam uma defesa da política monetária aplicada pelo governo.
- Esta orientação não segue interesses nacionais ou populares. Não reverte à população melhoria nos serviços públicos e na qualidade de vida.
Berzoini reafirmou sua posição de defesa ao governo federal. Para ele, há uma política econômica de sucesso.
- São necessários ajustes, mas não mudanças nos pilares da política. O PT assumiu o governo quando o país estava em processo inflacionário descontrolado, com contas externas em frangalhos, crise em vários pontos da seguridade social.