Título: Preços em queda para idosos
Autor: Samantha Lima
Fonte: Jornal do Brasil, 08/10/2005, Economia & Negócio, p. A19
A cesta de consumo dos ido sos acumulou deflação de 0,19% no terceiro trimestre, sob forte influência da queda no preço dos alimentos no período. O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3I) ficou ligeiramente superior à inflação geral do IPC, que registrou queda de 0,22% no período, como aponta a Fundação Getúlio Vargas. O recuo em produtos como batata inglesa e leite longa vida foi suficiente para neutralizar os efeitos dos reajustes de preços administrados pelo governo, para as famílias em que metade dos integrantes tem mais de 60 anos.
No semestre anterior, o IPC-3I registrou alta de 1,83%, ante 1,62% do IPC. Desta vez, porém, os resultados se aproximaram porque os itens de maior diferença de peso entre os dois indicadores - saúde e cuidados pessoais, transporte e educação - não apresentaram variações significativas de preço no terceiro trimestre, explica a FGV. O resultado aproximou os dois grupos no ano, que acumulam 3,46%, no caso dos idosos, e 3,43% no índice geral.
- No terceiro trimestre, a desaceleração foi muito grande em alimentos e também em vestuário. No item saúde, a alta dos planos de saúde foi neutralizada pela queda no preço dos medicamentos - explica o economista André Braz, da FGV.
A apuração do IPC apontou que a batata inglesa foi a maior influência na queda do indicador, contribuindo com -0,34 ponto percentual, seguida pelo leite longa vida, com -0,13 ponto percentual; mamão papaya e tomate, com -0,1 ponto cada.
Dentre os fatores que puxaram para cima a inflação do idoso, a FGV aponta a tarifa de telefone residencial, contribuindo com 0,31 ponto percentual; taxa de água e esgoto, com 0,15 ponto percentual; plano de saúde, com 0,15 ponto percentual; e gasolina, com 0,11 ponto percentual.
- As tarifas públicas impediram uma deflação maior. Os itens que sofreram aumento tiveram grande importância porque os idosos, por permanecerem mais tempo em casa, utilizam mais esses serviços - explica Braz. - E, no caso do grupo planos de saúde, o aumento mensal tem sido de 2,8% por conta dos reajustes concedidos pela Agência Nacional de Saúde (ANS). Pode ser que, em algum momento, uma decisão definitiva da Justiça no caso dos planos antigos possa ter um impacto um pouco maior.
Para os próximos meses, o economista não vê nenhum fator capaz de provocar uma aceleração brusca no IPC-3I.
- Os aumentos mais pesados, como de planos de saúde e tarifas como água e telefone, já foram e, felizmente, em um momento em que havia outros itens em forte queda para atenuar esses efeitos. A maior ameaça que vejo é justamente nesses itens que puxaram a inflação para baixo, como a alimentação, porque eles já demonstram uma tendência de queda menor nos próximos meses.