Título: Depois de recorde, bolsa cai
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Fonte: Jornal do Brasil, 06/10/2005, Economa e Negócios, p. A18
Bovespa despenca 3,58% e dólar volta aos R$ 2,27. Emergentes estão atentos ao Fed
Depois de bater sete recordes de pontuação entre meados de setembro e o começo de outubro, a Bolsa de Valores de São Paulo não resistiu a um forte movimento de realização de lucros, impulsionado pela saída de estrangeiros. Com isso, o Ibovespa - principal índice da Bolsa paulista - caiu 3,58% ontem, registrando a segunda maior perda do ano em um dia, e retornou aos 30.163 pontos, após atingir o recorde de 31.856 pontos na segunda. O mercado no Brasil seguiu movimento observado lá fora. O S&P 500 caiu 1,5%, a Nasdaq teve queda de 1,7% e o Dow Jones, principal índice da Bolsa de Nova York, recuou 1,2%.
Para Angelo Larozi, da corretora Souza Barros, a valorização do dólar em relação ao real, por conta das atuações do Banco Central no câmbio, não é ''interessante'' para o estrangeiro que tem recursos aplicados em reais no Brasil. Em setembro, os investidores externos deixaram R$ 1,198 bilhão na Bovespa.
O dólar voltou a se aproximar dos R$ 2,27 impulsionado pela terceira atuação do Banco Central na semana. A moeda americana fechou com alta de 0,30%, a R$ 2,268. Na terça-feira, já havia subido 1,43%. O dólar já vinha subindo desde a abertura dos negócios, com o mercado à espera de uma nova atuação do BC. Perto do meio-dia, a autoridade monetária anunciou leilão para compra de dólares, quando a divisa estava cotada aos R$ 2,273.
Para piorar a situação, os juros americanos voltaram a causar preocupação. Presidentes de divisões regionais do Federal Reserve (Fed, o BC americano) disseram ontem que a política de alta de juros nos EUA não tem prazo para acabar, o que afetou a confiança dos investidores. Isso porque a inflação no país seria motivo de apreensão. Juros mais altos nos EUA tendem a afetar os lucros das empresas e provocar redução de negócios nas bolsas, além de reduzir o fluxo de recursos que desaguam atualmente nos mercados emergentes, como o Brasil.
Os juros americanos estão em 3,75% ao ano, contra 19,5% no Brasil. O possível reposicionamento dos investidores diante da possibilidade de alta dos nos EUA provocou elevação do risco Brasil, que no final dos negócios subia 3,6%, para 364 pontos. O Global 40 - título mais negociado - caía 0,65%.