Título: Indústria vende menos em agosto
Autor: Daniel Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 06/10/2005, Economia e Negócios, p. A20

Dólar baixo e juros altos derrubam faturamento

BRASÍLIA - As vendas da indústria brasileira caíram pelo segundo mês consecutivo, porém em menos intensidade. Em agosto, o faturamento do setor encolheu 1,08%, ante 3,10% do mês anterior. Na comparação com igual mês do ano passado, o recuo chegou a 0,67%, informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, os motivos da retração são velhas preocupações do setor produtivo - os altos juros e a desvalorização do dólar. Mas no terceiro trimestre outra variante pesou: a expansão do crédito, que impulsionou as vendas até junho, também já mostra sinais de desaceleração.

O dólar, explica Castelo Branco, em doze meses, até agosto, já sofre desvalorização de 21,4%, o que tem impacto no faturamento dos exportadores e, conseqüentemente, de toda a indústria. No ano, porém, as vendas do setor cresceram 1,84% ''apesar do câmbio'', segundo o economista.

Nem todos os indicadores da CNI apontam arrefecimento. Mesmo com estabilidade na criação de vagas nos últimos meses, a geração de emprego na indústria nacional deve ser recorde no, passando os 4%. Em agosto, o emprego industrial cresceu 3,01% frente ao mesmo mês do ano passado, mas teve alta de apenas 0,05% na comparação com julho.

Os salários pagos tiveram alta de 8,25% em agosto. Para Castelo Branco, a expansão da massa salarial é resultado da queda da inflação.

A utilização da capacidade instalada caiu 1,2 ponto percentual entre agosto e o mesmo mês do ano passado, recuando de 84,1% para 82,9%. O número de horas trabalhadas, que mede a produção, porém, apresentou crescimento de 4,77% no mesmo período.

- Esse é um indício de investimentos no parque produtivo. A produção cresceu, mas a capacidade instalada também - ponderou Castelo Branco.