Título: Reaberta guerra interna do PFL pela candidatura
Autor: Mariana Santos
Fonte: Jornal do Brasil, 06/10/2005, Brasília, p. D1
Paulo Octávio avisa que não abre mão de disputar o Buriti
O clima esquentou no PFL-DF. Findado o prazo estipulado pela legislação eleitoral para acomodações partidárias de candidatos no ano que vem, expirado na última sexta-feira, o grupo que apóia a candidatura do depuado José Roberto Arruda à sucessão do GDF e os seguidores de Paulo Octávio, presidente regional que também postula a indicação, começam a se desentender novamente. Enquanto os arrudistas garantem que na semana passada o senador teria assumido no partido que abriria mão de manter-se como candidato na legenda em favor de Arruda, para que permancesse na sigla e assim evitar uma debandada, ontem Paulo Octávio convocou entrevista coletiva para anunciar que permanece no páreo.
Na quarta-feira última, quando foi divulgado o convite do governador Joaquim Roriz para que Arruda ingressasse no PMDB, os dois pefelistas intensificaram as conversas em torno de um pacto que garantisse ao deputado federal a indicação para concorrer ao GDF em seu próprio partido, sem o desconforto de tornar-se um peemedebista e ficar a mercê de Roriz. O deputado distrital Agrício Braga, do grupo arrudista, lembra que naquele dia, por volta das 21h, Paulo Octávio informou que estaria fora da disputa.
- Eu já tinha assinado a ficha do PMDB quando ele ligou dizendo que todos ficariam no partido. Se não fosse isso teríamos saído, estávamos de malas prontas - conta Agrício. Além dele deixariam o PFL os deputados Agrício Braga e Izalci Lucas, distritais, o federal Alberto Fraga, o secretário de Meio Ambiente, Antônio Gomes, o administrador de Taguatinga, José Humberto Pires, dentre outros. O grupo calcula a migração de pelo menos 30 nomes de potencial eleitoral.
As farpas são reforçadas pelo secretário de Ciência e Tecnologia, Izalci Lucas. Ele garante ter participado de reuniões, uma delas na residência oficial de Águas Claras, em que Paulo Octávio já se colocava fora da corrida ao Buriti.
- Não tem a mínima chance do Paulo [Octávio]dizer que não vai cumprir o acordo. O maior patrimônio de um homem público é a palavra. Se ele fizer isso, não terá coragem de nos olhar. Será o fim político dele - decretou Izalci.
Ontem, na sede do PFL-DF, Paulo Octávio reafirmou que seu nome ainda está na lista de candidatos. Ao lado do secretário-geral da sigla, Flávio Couri, o senador destacou ainda que, caso os seguidores de Arruda deixassem a legenda, outros nomes que só não haviam se filiado antes por receio do inchaço, preencheriam as vagas.
- Perdemos filiados por medo do presente quadro. Dois distritais eleitos viriam para cá se eles tivessem saído - afirmou Paulo. Na semana passada, o distrital Vigão e seu suplente em exercício, João de Deus, mudaram no PP para o PMDB. O deputado Júnior Brunelli, também ex-pepista, ingressou no PFL.
Sem esconder a possibilidade de o PFL lançar candidato próprio mesmo sem ter o nome escolhido por Roriz, o presidente regional disse que ainda está em busca de um entendimento interno. A idéia é tentar chegar a um acordo antes da convenção, que acontecerá até o final de junho. Sobre a citada desistência, afirmou que ''ninguém disse que não era mais candidato''.
- Em 2002 eu era candidato ao governo pelo PFL, mas abri mão por um entendimento com Roriz - lembrou Paulo Octávio.
marisanjb (20:54:54): Ontem, o grupo de apoio ao deputado Arruda reuniu-se em sua residência para discutir o recuo do senador. Esteve presente no encontro o líder do PFL na Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ). A idéia era concentrar forças para pressionar Paulo Octávio a voltar o acordo no ponto que ele havia sido deixado na semana passada. Aliados disseram que Arruda estava irritado com a situação. Segundo sua assessoria, porém, ele não iria se pronunciar à imprensa.