Título: Genro acredita em renovação
Autor: Daniel Pereira e Kelly Oliveira
Fonte: Jornal do Brasil, 10/10/2005, País, p. A3

Na avaliação do presidente interino do PT, Tarso Genro, o escolhido pelos filiados terá três grandes tarefas à frente do maior partido de esquerda da América Latina, em meio à mais grave crise de sua história. A primeira missão de Ricardo Berzoini ou Raul Pont, segundo a análise de Tarso, será constituir um novo grupo de dirigentes na legenda, mais estável e com um comando mais negociado. A segunda tarefa será conduzir o partido para um novo sistema de alianças visando as eleições de 2006, reagrupando as forças de esquerda em torno das propostas originais do PT. No caso de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a terceira tarefa será formular uma proposta de transição para um novo modelo de desenvolvimento. Para Tarso, a política econômica do governo Lula é semelhante à adotada pelo governo anterior e, em um segundo mandato do PT, teria de evoluir para um sistema de maior investimento público, com políticas sociais mais arrojadas e que promovam a redistribuição de renda. Os avanços do primeiro mandato em questões como a retomada do crescimento econômico e do emprego, diz o presidente interino do PT, seriam a base para uma mudança de rumo a partir de 2007.

Escolhido para gerenciar o PT em meio à crise que levou à queda de toda a antiga cúpula devido a suspeitas de envolvimento com atos de corrupção, Tarso afirma acreditar que se saiu bem na transição. Para o ex-ministro da Educação, a sigla conseguiu sair da defensiva, iniciou um movimento de reforma do partido, está empreendendo um esforço para se reaproximar das bases e dos movimentos sociais e começará a pensar em um novo modelo de desenvolvimento para reeleger Lula.

- Isso foi fundamental para o PT recuperar o seu conteúdo. O momento é de virada - declara Tarso.

Ele também criticou as CPIs em andamento no Congresso, que não estariam aprofundando as investigações. A perda de foco, afirma Tarso, deve-se ao desinteresse em buscar as origens de irregularidades como o caixa 2, uma das causas da crise no PT. Uma investigação mais a fundo, acrescenta Tarso, acabaria flagrando as mesmas práticas nos partidos de oposição.