Título: Sem risco de contaminação
Autor: Lorenna Rodrigues
Fonte: Jornal do Brasil, 10/10/2005, Brasília, p. D6
Os resultados positivos da pesquisa da Embrapa foram muitos comemorados entre os hemofílicos. Ex-bancário, Adílson Moraes, 35 anos, contraiu o vírus da hepatite C em uma das inúmeras transfusões de sangue por que passou. - É muito bom saber que teremos um medicamento totalmente seguro, principalmente para as novas gerações de hemofílicos, que não correrão o risco que os mais velhos correram - afirma.
Apesar da doença, diagnosticada quando ele tinha oito meses de vida, Moraes tenta levar uma vida o mais normal possível.
- Hoje eu estou afastado da minha profissão. Era difícil manter uma rotina de trabalho, tinha de faltar muito por causa da doença. Hoje eu tenho auxílio-doença, mas gostaria de voltar a trabalhar - garante.
Moraes vai três vezes por semana ao Hospital de Apoio, referência internacional no tratamento da hemofilia. Duas vezes, ele vai para fazer hidroterapia. A terceira, é para pegar o Fator VII, que toma para controlar a doença. Moraes sai do hospital com uma caixa de isopor carregadas do remédio, suficientes apenas para aquela semana.
- São três aplicações por semana, cinco frascos por aplicação. É difícil viver nessa rotina, mas é a única forma de prevenir uma hemorragia, por exemplo - afirma.
Para ele, o pior da doença é o preconceito. Moraes conta que já perdeu namoradas por conta da hemofilia, e diz que não fala com todo mundo sobre sua doença.
- As pessoas sabem pouco sobre a hemofilia, muitas pensam que é uma doença contagiosa, têm medo de se contaminar - conta.
Hoje, Moraes namora uma enfermeira que conheceu no Hospital de Apoio, durante um tratamento.
- Ficou mais fácil para mim namorar alguém da área médica. Ela sabe tudo sobre a doença, e me trata como uma pessoa normal, o que eu sou - afirma.
Desafios - Aos 5 meses, o estudante Gianny Rosa, 25 anos, teve a hemofilia diagnosticada. Aos 3 anos, ele teve mielite transversa, e ficou paraplégico. Desde então, Gianny convive com as duas doenças.
- Não fui criado como um hemofílico. É claro que meus pais ficavam preocupados, mas eu tive uma infância o mais normal possível, viajei com os amigos, estudei, me diverti - conta.
Natural de Itumbiara, Gianny mora atualmente em Brasília com amigos. Está no terceiro semestre da faculdade de Ciências da Computação. Há três meses, ele está internado no Hospital de Apoio fazendo fisioterapia para fortalecer as articulações.
- Corro o risco de perder o semestre, mas não vou perder o curso. Quero continuar vivendo a minha vida normalmente - afirma. (L.R.)