Título: Filho de Dirceu na mira
Autor: Paulo de Tarso Lyra
Fonte: Jornal do Brasil, 12/10/2005, País, p. A3

BRASÍLIA - O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo de cassação contra José Dirceu (PT-SP) no Conselho de Ética, disse que pretende incluir em seu relatório final a denúncia de que a Casa Civil teria atuado para favorecer José Carlos Becker (PT-PR), o Zeca Dirceu, filho do ex-ministro. Delgado diz que a denúncia de suposto favorecimento a Zeca não deve ser usada como prova, mas como fundamentação do processo por quebra de decoro parlamentar. - Usar como prova é difícil porque ainda não há uma denúncia formal. Mas com certeza os dados apresentados serão aproveitados.

Segundo o Ministério Público Federal, Zeca teve apoio da Casa Civil, entre 2003 e o início de 2004, para empenhar recursos relativos a emendas ao Orçamento destinadas a cidades do noroeste do Paraná. À época, servidor do terceiro escalão do governo paranaense, Zeca foi eleito, em 2004, prefeito de Cruzeiro d'Oeste.

O filho de Dirceu nega irregularidades e diz que sua atuação ocorreu de maneira legítima. Delgado também anunciou o encerramento da instrução do processo. Formalmente, isso significa o término dos trabalhos de coleta de depoimentos, documentos e provas.

- Em virtude disso, nenhum fato novo poderá ser utilizado como prova. Nem pela defesa e nem pela acusação - afirmou.

Delgado informou que pretende terminar o relatório até terça-feira, quando deverá fazer a leitura aos demais integrantes do conselho. O processo contra Dirceu foi aberto a pedido do presidente do PTB, Flávio Martinez, após as denúncias do então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de que Dirceu seria o mentor do esquema do mensalão. Em sua defesa, Dirceu argumenta que o conselho não tem competência para julgá-lo porque as denúncias se referem a período em que era ministro da Casa Civil e entrou com um mandado de segurança com pedido de liminar no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ontem, José Luis Oliveira Lima, advogado do ex-ministro, criticou a possibilidade de Júlio Delgado incluir no processo por quebra de decoro as acusações contra Zeca.

- Se o relator fizer mesmo isso, mostrará sua afobação, pois o Ministério Público ainda não fez denúncia formal nem ao deputado nem ao filho dele - disse.

A defesa do ex-ministro conseguiu uma vitória no Conselho de Ética. Informado de que documentos sigilosos da CPI dos Correios haviam sido anexados ao processo, Oliveira Lima apresentou requerimento para ter acesso aos dados. São mais de 400 páginas em papel e mais outras 2.000 arquivadas em disquete de microcomputador.

- Conseguimos. Agora vamos ter de nos dedicar para analisar todo o material - disse o advogado.

Dirceu também pediu ao PT que entre com representação contra o deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS) no Conselho de Ética. Dia 6, Lorenzoni acusou Dirceu, na CPI dos Correios, dos crimes de falsidade ideológica e de responsabilidade por receber suposto empréstimo de R$ 14 mil do PT sem declarar no Imposto de Renda.