Título: Querosene de aviação sobe 10%
Autor: Rafael Rosas
Fonte: Jornal do Brasil, 15/10/2005, Economia & NEGÓCIOS, p. A20

Petrobras atende pedido do setor aéreo e evita reajuste de 26,6% no combustível a partir de amanhã

A diretoria da Petrobras atendeu pedido do setor aéreo e decidiu reajustar o querosene de aviação em 10% a partir de amanhã.

Na manhã de ontem, representantes das empresas aéreas se reuniram com o diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, para pedir a suspensão do reajuste de 26,6% que estava previsto pela estatal.

De acordo com o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), George Ermakoff, as empresas ficaram satisfeitas com a medida, principalmente com a abertura de diálogo entre empresas aéreas e Petrobras.

- A decisão foi bem-vinda. As companhias não conseguiriam absorver um aumento de preços desta magnitude - afirmou Ermakoff.

A Petrobras decidiu levar em conta na revisão do preço do combustível - realizada quinzenalmente - a média do combustível nos principais mercados mundiais. Normalmente, a estatal decide a mudança de preço do produto baseada apenas na média de preços das refinarias do Golfo do México.

A mudança no cálculo serviu, na prática, para expurgar os efeitos dos furacões Katrina e Rita nas refinarias americanas da região do Golfo do México e que levariam ao aumento de 26,6% nos preços. No mês passado, só com os efeitos do Katrina, o querosene de aviação subiu 20%.

- Com os furacões nos EUA, houve escassez do produto na região do Golfo e os preços subiram muito - disse Ermakoff.

O pedido do Snea foi baseado em uma uma análise de que como a produção das refinarias do Golfo do México começa a se normalizar depois da passagens dos dois furacões, a Petrobras acabaria tendo que reduzir os preços no fim do mês.

- A Petrobras refina seu petróleo e produz o querosene aqui no Brasil e poderia conter o aumento sem prejuízo - acrescentou Ermakoff.

Segundo ele, em média, o combustível responde por 35% dos custos totais das grandes empresas de aviação no Brasil. No setor regional, no entanto, os custos com o querosene podem chegar a 50% do total.

Enquanto as empresas aéreas tentam conter o aumento do combustível, prossegue a novela da recuperação judicial da Varig.

Ontem, a TAP divulgou que o financiamento de US$ 100 milhões que se dispôs a fazer no curto prazo na Varig não viria do seu caixa, mas de investidores interessados em participar do processo de reestruturação da companhia aérea brasileira.

Na quinta-feira, o presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha, revelou o envio de uma carta de compromisso da TAP renovando o interesse em participar do capital da aérea brasileira após o fim da reestruturação.