Título: Soldados indianos cruzam a fronteira para ajudar
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 13/10/2005, Internacional, p. A9
Numa cena inesperada, soldados indianos cruzaram ontem a linha de controle que divide a Caxemira e ajudaram militares paquistaneses a reconstruir um bunker destruído pelo terremoto de sábado, informou o Exército da Índia.
- Nossos soldados ajudando os paquistaneses? Isso é algo nunca visto - comentou o coronel indiano K. Seghal.
De acordo com as regras estabelecidas por Islamabad, militares indianos não poderiam ter acesso ao território paquistanês durante a assistência humanitária oferecida por Nova Délhi, mas por um momento a hostilidade histórica parece ter sido esquecida. O episódio ocorreu no mesmo dia em que um avião cargueiro indiano levou 26 toneladas de suprimentos aos vizinhos paquistaneses. A aeronave levou remédios, 15 mil mantas e 50 barracas para abrigo.
Já os bunkers do Exército da Índia, do outro lado da fronteira, transformaram-se em necrotério para dezenas de soldados mortos pelos tremores.
- No primeiro momento do sismo, pensei: são os paquistaneses voltando a nos atacar, mas não havia fumaça. Depois, fomos soterrados - conta um soldado ferido do hospital.
Não se sabe quantos são os bunkers de ambos os países, em processo de paz, na fronteira fortemente militarizada. A área tem sido palco de operações comuns de socorro.
Pelo menos 105 militares indianos morreram e 39 ficaram feridos na Caxemira, chamada de ''o maior campo de batalha do mundo''. A região teve 40.720 construções destruídas e 1.400 mortos, entre eles 200 soldados paquistaneses.
Na madrugada de ontem, tremores secundários de intensidade 5,6 voltaram a abalar o Paquistão, informou o Instituto Geológico dos Estados Unidos. O epicentro ocorreu a 135 km ao Norte da capital Islamabad. O sismo, que ocorreu à 1h23 da quinta-feira, é o mais recente de uma série de choques que se seguiram ao terremoto de sábado, de 7,6 graus.
A réplica foi a 22ª desde o tremor inicial, no sábado. O novo abalo levou pânico à área, onde muitas pessoas deixaram suas casas em busca de socorro. Até a noite de ontem, não havia informações de novas mortes e feridos.