Título: Agência indica melhor nota para Brasil
Autor: Simone Cavalcanti e Mariana Carneiro
Fonte: Jornal do Brasil, 12/10/2005, Economia & Negócios, p. A20

Fitch eleva perspectiva da dívida e abre caminho para subir `rating¿ do país a qualquer momento. Notícia anima mercado

SÃO PAULO E RIO - A Fitch Ratings elevou de estável para positiva a perspectiva da dívida soberana de longo prazo do Brasil, mantendo a classificação de risco em BB-. Este é o primeiro passo para que o país consiga uma melhora na nota de longo prazo, o que pode ocorrer a qualquer momento. Se houver aumento de um nível, o rating do país passa para BB. De acordo com a agência, a melhora da percepção se deve aos resultados favoráveis do balanço de pagamentos e à boa dinâmica de dívida externa, bem como ao progresso substancial no controle das pressões inflacionárias com um quadro de queda das taxas de juros e maior perspectiva de crescimento econômico.

Outro aspecto que pesou para a melhor classificação foi que o governo seguiu comprometido com as políticas macroeconômicas, apesar das turbulências políticas ocorridas nos últimos quatro meses.

¿ A melhora dos indicadores de solvência externa do Brasil tem impressionado e é esperado que isso continue. Embora o real esteja valorizado, as exportações brasileiras continuam em um bom ritmo ¿ disse Roger Scher, chefe do Departamento de Rating Soberano para a América Latina da Fitch.

Diante dos bons resultados apresentados no comércio exterior, a Fitch elevou as previsões para o superávit comercial neste ano de US$ 33,3 bilhões para US$ 40 bi.

Entre os latino-americanos, o mais seguro, na visão da Fitch, é o Chile, que tem nota A. Aos olhos de um investidor, isso significa que é menos arriscado aplicar em um título chileno que em um brasileiro.

Para o Brasil, é importante ter uma nota melhor de agências de classificação de risco porque indica que o país pagará juros menores. Mesmo que consiga subir um degrau, o Brasil ainda estará dois níveis abaixo do chamado ¿grau de investimento¿. Isso significa que comprar títulos brasileiros ainda será considerado no exterior um investimento especulativo.

A notícia foi suficiente para gerar uma onda de otimismo no mercado financeiro. A Bolsa de Valores de São Paulo registrou a terceira elevação seguida, com o Ibovespa em alta de 1,11%, aos 30.614 pontos. Lá fora, o risco país caiu 10 pontos, para 373 pontos.

O BC voltou ontem ao mercado de câmbio para realizar mais um leilão de compra de dólares. Operadores estimam que foram adquiridos entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões. A medida ajudou a conter um pouco (mas não evitou) a baixa do dólar, que fechou em queda de 0,22%, a R$ 2,234.

O fim da maré de real forte está longe do fim, na opinião do economista-chefe do Itaú, Tomás Malaga. Com a redução contínua da taxa básica de juros (Selic) para até 15% no ano que vem, prevê o analista, o real cederá, porém não voltará ao mesmo patamar do início deste ano ¿ acima dos R$ 2,70. A expectativa do economista é que o câmbio volte à casa dos R$ 2,50 em meados de 2006.

Além do efeito da queda do dólar no mundo, o economista aponta como razão para a valorização do real a elevação do preço das commodities que o Brasil vende, além de o país sustentar a maior taxa de juros real do mundo.

Segundo seus cálculos, o real está 26,2% mais forte do que há um ano. A maior parte disso deve-se à ação da política monetária (15,2%), seguido pelo que chamou de ¿efeito commodities¿, em 11,4%.

¿ Enquanto a Ásia cresce, sua expansão é transferida em parte para o Brasil ¿ aponta Malaga.

Com agências