Título: Investidores põem cartas na mesa
Autor: Rafael Rosas
Fonte: Jornal do Brasil, 13/10/2005, Economia & Negócios, p. A17
Além do plano de recuperação apresentado pelo Conselho de Administração da Varig, encabeçado pelo executivo David Zylbersztajn, duas outras propostas já chegaram ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e serão detalhadas hoje. A primeira é da Docas Investimentos, do empresário Nelson Tanure, que apresentou pessoalmente seu projeto a membros do Judiciário, credores, sindicalistas e controladores.
O plano de Docas conta com o apoio dos sindicatos de trabalhadores. Pela proposta, Docas investiria no curto prazo US$ 90 milhões no Grupo Varig e lideraria uma capitalização de mais US$ 270 milhões em conversão de créditos contra a Varig.
Ao final do processo de capitalização, Docas ficaria com o equivalente a 20% do capital total do Grupo Varig e 40% do capital votante. A atual controladora, a Fundação Ruben Berta, ficaria com 10,56% do capital total e 20% do votante. A novos investidores, caberiam 61,03% do capital total e 37,09% das ações com direito a voto.
Entre os principais pontos do plano de Docas estão a manutenção dos empregos atuais, o veto à venda da VarigLog e a permanência do centro das operações da companhia no Rio de Janeiro.
Na época da apresentação do plano de Docas, Tanure afirmou que a Varig precisa de um ''pacto'' com a participação de credores, Aerus, trabalhadores e Fundação Ruben Berta para que a recuperação da empresa se torne posível.
O segundo plano apresentado foi o do Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), que representa as associações de funcionários da aérea. Levado ao Judiciário na terça-feira, o projeto também prevê a manutenção de empregos, a permanência do centro de operações no Rio e o veto à venda da VarigLog.
O economista Paulo Rabello de Castro, contratado pelas associações para elaborar o plano do TGV, explicou que haveria no curto prazo um aporte de US$ 200 milhões, fruto de um desconto de recebíveis. O financiador seria o banco português Efisa, que já estaria trabalhando para buscar um investidor americano ou asiático para aportar mais US$ 300 milhões por 20% do capital votante da Varig.
Para Márcio Marsillac, coordenador do TGV, os credores poderiam analisar as propostas em 10 dias, para que depois a assembléia fosse retomada e o melhor plano escolhido.
- Esse seria um sacrifício menor que a venda da VarigLog - ponderou.