Título: Boicote à carne de fora
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 12/10/2005, Brasília, p. D3

Febre aftosa faz DF suspender entrada de produtos animais de Mato Grosso do Sul

O foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul levou o Distrito Federal a tomar uma atitude rápida. Para que a doença não contamine o rebanho local, o secretário de Agricultura, Pedro Passos, assinou ontem portaria que proíbe, por 90 dias, a entrada de animais de todas as espécies, produtos e subprodutos, procedentes do território sul-matogrossense. O principal alvo, evidentemente, é a carne. ''Estamos preocupados com o agronegócio brasileiro e por isso adotamos essa medida'', informou o secretário. Lá fora - União Européia, Chile, Paraguai, África do Sul, Israel e Rússia já decretaram embargo à compra de carne brasileira após a descoberta de um foco de febre aftosa no município sul-matogrossense de Eldorado. Estados que fazem divisa com Mato Grosso do Sul fecharam as fronteiras. Os primeiros a proibir a entrada de carne de lá foram São Paulo e Rio de Janeiro, seguidos por Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás.

O embargo mais sério, dos 25 países da União Européia, vale para a carne produzida nos Estados de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, mas exclui Goiás e o Distrito Federal. O governo russo anunciou a medida mais severa. O país, um dos principais importadores de carne brasileira, proibiu não apenas a compra da carne bovina como também de suínos, frango, animais vivos, leite e demais produtos lácteos.

Patrulhas - As patrulhas volantes de inspeção da Secretaria de Saúde do Distrito Federal vão fazer barreiras em vários pontos da capital, para fiscalizar as estradas diariamente, comunicou Pedro Passos. Os caminhões ou carretas que conseguirem entrar sem autorização, terão a carga apreendida e incinerada em uma vala sanitária ou na usina do Serviço de Ajardinamento e Limpeza Urbana (Belacap).

O secretário fez um apelo aos pecuaristas brasilienses para que não deixem de imunizar seus rebanhos. A segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa ocorrerá em todo o mês de novembro. ''Como o risco existe, todos os animais devem ser vacinados. Nós não temos casos aqui há 14 anos e pretendemos continuar livres'', disse Pedro Passos. Estima-se que o rebanho de bovinos no DF seja de 112 mil cabeças. A última vacinação foi feita em maio deste ano e 95% do rebanho recebeu a imunização.

O alerta sobre possíveis focos de febre aftosa no País foi dado pelo secretário Pedro Passos, em abril passado, no Fórum Nacional dos Secretários de Agricultura, em São Paulo. Na época, ele repudiou o contingenciamento de 80%, feito pelo governo federal, no orçamento do Ministério da Agricultura. O bom desempenho das exportações de carnes será afetado com a descoberta da doença no MS. Analistas do mercado afirmam que o Brasil pode perder, com o embargo internacional à carne, até US$ 1 bilhão nos próximos seis meses.