Correio Braziliense, n. 21737, 21/09/2022. Política, p. 3

Guedes critica teto de gastos



Depois de o “pai” do teto de gastos, o ex-ministro Henrique Meirelles, anunciar apoio à candidatura à Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez críticas, ontem, à âncora fiscal e justificou os sucessivos rompimentos do teto ao longo do governo Jair Bolsonaro (PL) com uma suposta construção malfeita da norma.

“O teto tinha sido mal construído, porque o teto é para impedir que o governo cresça. Nós não estávamos crescendo”, justificou o ministro, ao lembrar das alterações na lei para repassar, em 2019, os recursos do excedente da cessão onerosa.

Em seguida, Guedes citou as alterações no teto para criar o auxílio emergencial em 2020, no início da pandemia da covid-19. “Alguém acha que conseguiríamos sobreviver sem ter feito o auxílio emergencial?”, questionou, durante convenção da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em Campinas (SP). “Estávamos permitindo que a população brasileira sobrevivesse.”

Candidato à reeleição, Bolsonaro já anunciou que pretende discutir mudanças no teto de gastos se vencer nas urnas. Lula já prometeu abolir a norma, embora o mercado financeiro tenha nutrido esperanças de uma política fiscal responsável em eventual governo petista com o apoio anunciado ao PT, na segunda-feira, por Meirelles.

No início, Guedes elogiou o setor de supermercados por ter sido “fundamental” para manter o abastecimento durante a pandemia e comemorou a situação da economia brasileira. “É muito importante vocês não se perderem nas narrativas políticas”, declarou.

 

“Tolerância”

A 11 dias das eleições, o ministro pediu que os brasileiros não “mergulhem no passado e não busquem volta a políticas econômicas”, em uma alusão a Lula. “Tem candidato dizendo que criou 10 milhões de empregos em oito anos, nós criamos 16 milhões em dois”, comparou, sem citar o petista nominalmente.

Ao longo de sua exposição, Guedes pediu “tolerância” à esquerda. “É preciso ter tolerância com os religiosos, com os patriotas. Não reclamem de falta de tolerância se vocês da esquerda não conseguirem ser tolerantes”, afirmou Guedes, no evento.

Segundo o ministro, ele não pôde estar presente presencialmente porque se concentra em “ajustes” em dotações orçamentárias do Executivo.

O titular da equipe econômica afirmou que a América está “desmanchando” sob governos de esquerda, como supostamente acontecia com o Brasil na era PT. “A democracia brasileira era igual a saci-pererê, só pulava na perna esquerda”, afirmou. Em seguida, criticou o Plano Real: “Foi muito capaz na política monetária, mas o endividamento virou bola de neve”.