Correio Braziliense, n. 21736, 20/09/2022. Política, p. 2

Tebet critica Lula e diz que lutará “até o fim”



A candidata à Presidência pelo MDB, senadora Simone Tebet, disse que não acredita em um eventual governo Lula. Para ela, o petista, se eleito, fará uma gestão populista para garantir uma perpetuação no poder do PT nos próximos anos.

A crítica foi feita logo após sabatina organizada pelo Estadão em parceria com a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

Foi uma resposta à pressão que a sua candidatura vem sofrendo da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para atrair votos dos eleitores da emedebista e tentar vencer já no primeiro turno das eleições, marcado para o próximo dia 2 de outubro.

“Não acredito no governo Lula. Por isso, eu sou candidata. Eu não consigo visualizar (apoio), a não ser o papel que nós temos de fortalecimento de um pacto a favor do Brasil que começa e não termina agora”, disse a presidenciável.

Segundo Tebet, um eventual governo Lula seria mais do mesmo. “Vai ser um Perón”, frisou, numa referência a Juan Domingo Perón, presidente da Argentina por três mandatos nas décadas de 1940, 1950 e 1970.

Na sabatina, Tebet manifestou desconforto com a campanha pelo voto útil e afirmou que vai lutar “até o fim”. Ela se recusou a falar em negociações futuras e quais compromissos da pauta econômica poderiam entrar num acordo com a campanha do PT.

 

Negativa

A presidenciável negou que esteja em negociação com Lula de apoio num eventual segundo turno com o presidente Jair Bolsonaro (PL). A senadora enfatizou nunca ter se reunido com Lula.

Especulações em torno do nome da candidata para comandar um ministério, entre eles Justiça e Agricultura, como parte de uma negociação política, no segundo turno, têm surgido em Brasília.

Na semana passada, a candidata do MDB alertou a campanha do PT de que a estratégia pelo voto útil é desrespeitosa e pode afugentar apoios de Lula no segundo turno.

Caciques do MDB, que dão aval a Lula, jogam pressão adicional pelo voto útil. O comando, no entanto, pode acabar liberando voto em caso de segundo turno.

 

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