Título: Intercâmbio com salário em dólar
Autor: Bruno Rosa
Fonte: Jornal do Brasil, 15/10/2005, Economia & Negócios, p. A17

Trabalhar nos Estados Unidos é sonho da maioria dos brasileiros. Na agência IE-Intercâmbio, com nove lojas no país, o destino está no passaporte de 70% dos 2.500 estudantes que compraram pacotes este ano. Segundo Patrick Guimaraens, diretor da rede, houve alta de 66% na venda de pacotes para trabalhar no exterior.

- Existem estudantes que vão aos EUA todo ano. Vão nas férias da faculdade e com o dinheiro compram a passagem do ano seguinte - endossa Patrick.

O estudante Christian Dryer, 21 anos, já vai aos Estados Unidos há dois anos seguidos para trabalhar em uma estação de esqui.

- Conseguir juntar muito dinheiro, tanto que eu consegui voltar aos Estados Unidos. É essencial ter experiência internacional e bom inglês para conseguir um bom emprego aqui no Brasil - diz Dryer, lembrando que ganhou um campeonato de futebol com a equipe do restaurante em que trabalhava.

Os números da AFS Intercultura Brasil confirmam a alta demanda do segmento. A expectativa da empresa é de crescimento de 30% este ano e em 2006.

- Vale destacar ainda destinos exóticos, que têm despertado bastante interesse, como China, Egito, Malásia, Tailândia e Turquia - ressalta Claudio Benevides, gerente financeiro do AFS Intercultura Brasil.

Cuidados, no entanto, são essenciais na hora da escolha de um pacote. É necessário ficar atento se as propostas do programa correspondem às necessidades de quem vai viajar. O pacote oferecido pela Experimento Intercâmbio Cultural, por exemplo, para trabalhar nos quiosques da Kodak em parques temáticos dos Estados Unidos oferece salário de US$ 7,10 por dia. Além disso, os estudantes têm que pagar US$ 1.230, fora os gastos com passagens aéreas, hospedagem e alimentação. Daniela Redondo, gerente da Experimento, ressalta que o objetivo do programa não é juntar dinheiro e sim aprimorar o idioma, já que o rendimento não é suficiente para se manter.

- Durante a seleção, percebemos que muitos jovens queriam viajar para ganhar dinheiro. Como esse não era o objetivo, o interessado a uma das 250 vagas não era selecionado - explica Daniela.

Maura Leão, diretora de operações da Belta, recomenda análise cuidadosa do contrato, além de conhecer a empresa que está vendendo o produto