Título: Fé na corda
Autor: Cleusa Maria
Fonte: Jornal do Brasil, 15/10/2005, Caderno B, p. B1

Segurar na corda - grosso trançado de sisal, que este ano media 450 metros - exige força física e emocional. Desde 1868, ela substitui a junta de bois que puxava o carro da santa anteriormente. Quem consegue um palmo para grudar a mão enfrenta uma maratona antes, durante e depois. Se não chegar até ela muitas horas antes da procissão, não segura mais. Se segurar não tem como soltar, durante o percurso dos 3,6 quilômetros, sob o risco de ser pisoteado, mesmo protegido pelos cordões humanos das Forças Armadas e da Guarda da Nossa Senhora. Ondeia, puxando a berlinda. É o ponto mais esperado da procissão. Ali as cenas de êxtase têm seu auge. Desmaios são sucessivos e quem se abate é retirado de maca. É lugar para os mais jovens de espírito e de corpo forte. Contra tanto sacrifício recebem, ao final, o bálsamo da promessa cumprida.